Níveis elevados de monóxido de carbono estão associados a menor risco de desenvolver a doença de Parkinson
Estudo com 512.701 adultos na China indica que níveis de monóxido de carbono iguais ou superiores a 3 partes por milhão reduzem em 30% o risco de doença de Parkinson em não fumantes. A pesquisa, publicada na JAMA Neurology, acompanhou participantes por 12 anos e registrou 1.131 casos da patologia
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/J/B/COrqO5SHuUlLgktUkUnw/poluicao-vias1.jpg)
Níveis elevados de monóxido de carbono no ar exalado estão associados a uma redução no risco de desenvolver a doença de Parkinson, mesmo em indivíduos que nunca fumaram. A descoberta, detalhada em estudo publicado na revista JAMA Neurology, foi resultado do acompanhamento de 512.701 adultos, com idades entre 30 e 79 anos, em dez regiões da China ao longo de aproximadamente 12 anos.
Durante o período de observação, foram registrados 1.131 casos de Parkinson. Os dados revelaram que pessoas não fumantes com concentrações de monóxido de carbono iguais ou superiores a 3 partes por milhão apresentaram um risco cerca de 30% menor de desenvolver a patologia, quando comparadas a quem possuía níveis inferiores a esse valor.
A relação entre o gás e a neurodegeneração
O achado oferece uma nova perspectiva sobre a observação histórica de que fumantes teriam menor probabilidade de desenvolver Parkinson. A análise sugere que esse efeito não seria causado pelo cigarro em si, mas pelo monóxido de carbono, um dos gases liberados durante a queima do tabaco.
A associação permaneceu consistente mesmo após a análise de variáveis como a exposição passiva à fumaça e a utilização de madeira ou carvão em ambientes domésticos. Embora o gás seja reconhecido por sua toxicidade em altas concentrações, ele é produzido naturalmente pelo corpo humano em pequenas quantidades, atuando em processos celulares. Experimentos prévios em laboratório e com animais já indicavam que doses baixas do gás poderiam influenciar as células nervosas.
Limitações e riscos associados
Apesar da correlação encontrada, o estudo é de natureza observacional, o que significa que ele identifica a associação, mas não comprova que o monóxido de carbono seja a causa direta da redução do risco de doença de Parkinson.
O trabalho reforça que o tabagismo não oferece benefícios à saúde. No mesmo levantamento, o hábito de fumar foi vinculado a um aumento significativo no risco de AVC, doenças cardíacas, câncer de pulmão e óbito por causas diversas.
Perspectivas futuras
Devido ao fato de a amostra ter sido composta exclusivamente por participantes chineses, a validade dos resultados em outras populações — com diferentes níveis de poluição e hábitos de consumo de combustíveis — ainda precisa ser testada.
A possibilidade de utilizar doses controladas e baixas de monóxido de carbono como via terapêutica para o Parkinson é considerada promissora, porém experimental. De acordo com José A. Morales-García, pesquisador da Universidade Complutense de Madri, tal aplicação ainda está distante da prática médica e não possui utilidade clínica imediata.