Ciência

Nova metodologia propõe a busca por sinais extraterrestres em frequências de rádio mais altas

31 de Julho de 2026 às 06:12

Louisa Mason, da Universidade de Manchester, propõe expandir a busca por inteligências extraterrestres para frequências de rádio milimétricas e submilimétricas. Utilizando dados do ALMA e o Modelo Galáctico de Besançon, a pesquisadora elevou a estimativa de estrelas analisadas em um estudo do SETI de 288 mil para 6,1 milhões

Nova metodologia propõe a busca por sinais extraterrestres em frequências de rádio mais altas
Imagen de las antenas de ALMA.

A radioastronomia, área dedicada à detecção de assinaturas tecnológicas para confirmar a existência de inteligência extraterrestre, pode expandir significativamente seu campo de atuação. A proposta, apresentada por Louisa Mason, doutoranda da Universidade de Manchester, sugere que a busca por sinais alienígenas seja direcionada para frequências de rádio de alta frequência, diversificando a estratégia do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence).

Historicamente, as pesquisas concentram-se no chamado "poço de água", uma faixa entre 1,42 e 1,66 GHz, onde ocorre a emissão de hidrogênio e hidroxilo. Essa abordagem foca em ondas decimétricas ou centimétricas, deixando vastas áreas do espectro inexploradas.

Ampliação do espectro de busca

A nova metodologia proposta por Mason foca em ondas milimétricas (de 30 GHz a 300 GHz) e submilimétricas (de 300 GHz a 3.000 GHz). Para testar essa hipótese, a pesquisadora analisou dados do Grande Conjunto Milimétrico/Submilimétrico de Atacama (ALMA), localizado no Chile.

O estudo utilizou a Banda 3, que compreende a faixa de 90,642 GHz a 93,151 GHz. O cálculo dessa frequência, baseado na divisão da velocidade da luz (3 × 10⁸ m/s) por 90 × 10⁹ Hz, resulta em ondas de 3,33 milímetros. Embora a análise não tenha identificado sinais de origem tecnológica, a técnica permitiu a detecção de um volume de estrelas superior ao captado pelos métodos convencionais de observação.

Refinamento da amostragem estelar

Além da mudança de frequência, a pesquisa introduziu o uso do Modelo Galáctico de Besançon, uma simulação computacional da Via Láctea. Diferente do banco de dados Gaia, comumente utilizado por astrônomos, esse modelo permite identificar com precisão a diversidade de estrelas presentes em uma única observação.

Ao aplicar o Modelo de Besançon a um estudo anterior do SETI composto por 1.327 observações, Mason elevou a estimativa de estrelas analisadas de 288 mil — número obtido via Gaia — para aproximadamente 6,1 milhões de estrelas.

Essa combinação de observações de alta frequência e simulações galácticas permite que a ciência compreenda melhor os alvos de estudo e a direção das próximas buscas, revelando que mesmo observações reduzidas podem conter uma quantidade massiva de estrelas anteriormente ignoradas.

O histórico de detecções

Apesar do avanço nos métodos de varredura, a radioastronomia ainda não registrou sinais definitivos de inteligência extraterrestre. O caso mais emblemático permanece sendo o sinal "Wow!", detectado em 15 de agosto de 1977 pelo astrônomo Jerry R. Ehman. Na ocasião, foi registrado um sinal intenso com duração de 72 segundos, porém, mesmo após diversas tentativas, a leitura nunca foi replicada.

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