Ciência

Nova técnica de produção de cimento substitui calcário por rochas para reduzir emissões de carbono

24 de Maio de 2026 às 09:05

Pesquisadores dos Estados Unidos propõem a substituição do calcário por rochas como basalto e granito na produção de cimento Portland. O método visa reduzir as emissões de CO₂ em mais de 25% e diminuir o consumo de energia. A técnica permite a recuperação de ferro e alumínio como subprodutos

Nova técnica de produção de cimento substitui calcário por rochas para reduzir emissões de carbono
UC Santa Bárbara

Uma nova abordagem para a produção de cimento Portland propõe a substituição do calcário por rochas ricas em cálcio, como o basalto e o granito, visando mitigar o impacto climático da construção civil. O estudo, publicado na *Nature Communications Sustainability*, foi conduzido por Jeff Prancevic, geólogo da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e Cody Finke, da Brimstone Energy.

A indústria do cimento é responsável por aproximadamente 4,4% das emissões globais de gases de efeito estufa, volume de CO₂ comparável ao emitido por todos os carros de passeio do mundo. O problema reside no processo convencional, que aquece o calcário a temperaturas superiores a 1.500 °C para a obtenção de cal viva. Essa reação química libera cerca de 500 kg de CO₂ por tonelada métrica de cimento, valor que não contabiliza as emissões provenientes da energia necessária para alimentar os fornos.

A alternativa desenvolvida nos Estados Unidos mantém o material final utilizado nas obras, mas altera a origem do cálcio. Ao utilizar silicatos em vez de calcário, a produção poderia demandar menos de 60% da energia do método tradicional e reduzir as emissões em mais de 80% em cenários teóricos. Mesmo considerando a infraestrutura tecnológica atual e a eletricidade da rede, a estimativa é de uma redução superior a 25% nas emissões.

Além do benefício ambiental, a utilização do basalto permite a recuperação de metais valiosos, como ferro e alumínio, como subprodutos. A proporção desses elementos na rocha é compatível com a demanda atual de cimento e aço, o que favorece a criação de cadeias produtivas integradas.

A viabilidade da transição enfrenta barreiras econômicas e normativas, já que o cimento convencional é barato — custando cerca de 150 euros por tonelada — e as normas de engenharia foram otimizadas ao longo de um século para esse material. Por essa razão, a pesquisa foca em entregar o mesmo cimento Portland utilizado habitualmente pelos construtores, garantindo que a nova tecnologia seja implementada sem a necessidade de alterar os sistemas de construção vigentes.

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