Ciência

Nova tecnologia de propulsão por luz pode reduzir viagem a Alfa Centauro para 20 anos

19 de Maio de 2026 às 12:48

Pesquisadores da Universidade Texas A&M desenvolveram uma tecnologia de metapropulsão movida a lasers que pode reduzir a viagem até Alfa Centauro para cerca de 20 anos. O sistema utiliza metamateriais para manipular ondas eletromagnéticas e impulsionar espaçonaves ultraleves. Os experimentos foram realizados em laboratório e aguardam testes em microgravidade

Nova tecnologia de propulsão por luz pode reduzir viagem a Alfa Centauro para 20 anos
Metapropulsão movida a luz pode acelerar futuras espaçonaves para viagens interestelares/ Imagem Ilustrativa

Pesquisadores da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, desenvolveram uma tecnologia de metapropulsão movida a luz que pode reduzir o tempo de viagem até Alfa Centauro, o sistema estelar mais próximo do Sistema Solar, para aproximadamente 20 anos. O estudo, liderado por Kaushik Kudtarkar e publicado no ScienceDirect em 30 de março, propõe a substituição de motores tradicionais por lasers gigantescos que impulsionam espaçonaves à distância através da pressão exercida por fótons.

A base dessa inovação são os metamateriais, estruturas artificiais ultrafinas — também chamadas de metalentes ou metassuperfícies — que manipulam ondas eletromagnéticas em escala nanométrica. Ao contrário dos materiais convencionais, esses componentes controlam a direção, a intensidade e a dispersão da luz com precisão, criando "metajatos de propulsão" que permitem manobras tridimensionais completas e uma transferência de energia mais eficiente.

Essa abordagem resolve limitações críticas dos combustíveis químicos, que tornam as viagens interestelares inviáveis com a tecnologia atual. Para efeito de comparação, a sonda Voyager 1, lançada pela NASA em 1977, viaja a 61 mil quilômetros por hora e levaria mais de 70 mil anos para atingir o mesmo destino. Com a metapropulsão, espaçonaves ultraleves poderiam alcançar frações significativas da velocidade da luz, eliminando a necessidade de transportar toneladas de propelente.

Um ponto central da descoberta é que a força de aceleração depende da potência dos lasers emitidos e não do tamanho da nave, o que viabiliza projetos de maior porte no futuro. O conceito converge com iniciativas como o Breakthrough Starshot, que planeja o envio de nanossondas impulsionadas por lasers.

Embora a tecnologia prometa reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência energética, o sistema ainda enfrenta desafios em relação à estabilidade estrutural, precisão óptica e potência dos lasers. Até o momento, os experimentos foram realizados em laboratório. A equipe de Kudtarkar agora busca financiamento para testar a tecnologia em ambientes de microgravidade, visando observar a reação dos metamateriais aos feixes de luz sem a interferência gravitacional.

Além da exploração espacial, a manipulação avançada da luz e a fotônica aplicada a esses materiais possuem potencial de aplicação em computação avançada, medicina, radares, sensores ópticos e telecomunicações.

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