Nova tinta desenvolvida em Singapura absorve 99,90% da luz visível em veículos de luxo
O grupo de pesquisa Nipsea Group, de Singapura, desenvolveu uma tinta que absorve 99,90% da luz visível utilizando pigmento e nanotubos de carbono. O material, testado em veículos com camada brilhante, resistiu a condições de temperatura, umidade e água. A tecnologia visa o mercado de luxo, mas a fabricação industrial ainda requer aprimoramentos
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Uma nova tinta ultra-preta, desenvolvida pelo grupo de pesquisa e desenvolvimento da Nipsea Group, em Singapura, consegue absorver 99,90% da luz visível. A tecnologia, detalhada na revista científica *Cell Matter & Light*, cria um efeito visual tão intenso que o volume do veículo torna-se quase imperceptível ao olho humano.
A composição do material combina pigmento de carbono preto com nanotubos de carbono. Diferente das tintas convencionais, que dependem apenas da absorção do pigmento, esses componentes interagem e se organizam no revestimento para reter a luz com maior eficácia.
O projeto se baseia nos resultados obtidos pela BMW em 2019, quando a empresa utilizou o material Vantablack em um protótipo do modelo X6. Naquela ocasião, a emulsão de nanotubos de carbono eliminou as características reconhecíveis da superfície, fazendo com que o cérebro interpretasse a imagem como um vazio ou um buraco. O objetivo da Nipsea Group é adaptar essa capacidade de captura de luz para criar um produto viável para o mercado de veículos de luxo.
Para equilibrar o impacto visual com a funcionalidade, a equipe aplicou o revestimento em um modelo de carro com a adição de uma camada brilhante. Essa medida evita que o preto excessivamente fosco oculte totalmente os relevos e as linhas de design do veículo, preservando os detalhes estéticos.
Zhiwei Liu, químico de tecnologia da cor da Nipsea Group, destaca que a cor do automóvel é um fator determinante de vendas na China, onde acabamentos em preto profundo são associados à exclusividade, elegância e força visual.
A durabilidade do material também foi testada para superar a baixa aderência comum em revestimentos compostos apenas por nanotubos de carbono. As amostras resistiram a temperaturas de 40 graus, umidade de 95% e exposição à água sem apresentar defeitos visíveis. Apesar dos resultados, Liu ressalta que a fabricação industrial desses nanomateriais ainda requer aprimoramentos antes da comercialização em larga escala.