Novos materiais chamados salogeles podem reduzir custos de climatização em edifícios através do armazenamento térmico
Os salogeles, compostos por géis poliméricos e sais hidratadas, funcionam como alternativa para a climatização de edifícios ao armazenar e converter energia térmica. O material supera limitações técnicas de estabilidade e armazena mais do que o dobro de calor por volume do que a parafina. A tecnologia pode ser aplicada de forma passiva em estruturas ou ativa em sistemas de ar condicionado
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Os salogeles, uma nova classe de materiais compostos por géis poliméricos carregados com sais hidratadas, surgem como uma alternativa para a redução de custos com climatização de edifícios. A tecnologia permite a instalação desses componentes em paredes, tetos e janelas, atuando no armazenamento e na conversão de energia térmica.
O funcionamento desses materiais baseia-se no princípio dos materiais de mudança de fase. Assim como o gelo absorve calor ao derreter sem elevar a temperatura, as sais hidratadas — que possuem água em sua estrutura cristalina — conseguem guardar calor para liberá-lo posteriormente. Em comparação à parafina, a cera utilizada como referência no setor, essas sais armazenam mais que o dobro de calor por volume, possuem menor custo e não são inflamáveis. Um exemplo é o cloreto de cálcio hexahidratado, derivado da produção de carbonato de sódio.
Superação de barreiras físicas
A aplicação de sais na construção civil enfrentava limitações técnicas, pois, ao derreterem, as substâncias tornavam-se líquidas, escorriam ou separavam-se em camadas. Soluções anteriores, como o uso de suportes porosos ou encapsulamento, limitavam a concentração de sal a menos de 70% do material e dificultavam a fabricação.
Os salogeles resolvem esse problema ao manterem o sal estabilizado com uma quantidade reduzida de polímero. Versões que utilizam ligações reversíveis conseguem preservar entre 80% e 95% da capacidade de armazenamento térmico da sal pura.
Modelos de aplicação e testes
A implementação da tecnologia pode ocorrer de duas formas:
- Passiva: integração direta em janelas, paredes ou tetos, aproveitando a oscilação térmica natural entre o dia e a noite.
- Ativa: instalação em módulos de água quente ou sistemas de ar condicionado.
Testes em pequena escala já demonstram a eficácia do material. Em uma casa modelo, tubos sob o piso preenchidos com gel de acetato de sódio trihidratado permitiram a ativação controlada da liberação de calor. Já em uma estrutura impressa em 3D, o revestimento de salogel manteve a temperatura interna cerca de 20 °C mais fria durante a fusão, ou mais quente durante a cristalização, quando comparada a uma construção sem o material.
No caso de janelas, o gel apresenta comportamento dinâmico: derrete e torna-se transparente para resfriar o ambiente durante o dia, enquanto cristaliza, escurece e libera calor durante a noite.
Desafios para a escala industrial
Para que a tecnologia chegue aos canteiros de obras, pesquisadores da Texas A&M indicam a necessidade de solucionar gargalos técnicos. Existe um conflito entre a rigidez do material e sua eficiência energética: versões mais resistentes armazenam menos calor, enquanto as de maior capacidade são mais macias.
Além disso, é necessário garantir que as sais não permaneçam líquidas em temperaturas baixas, proteger o material contra a umidade e validar a durabilidade do desempenho após sucessivos ciclos de aquecimento e resfriamento.
Para evoluir além do método de tentativa e erro, a proposta atual envolve o uso de simulações e inteligência artificial para prever a compatibilidade entre polímeros e sais. O objetivo é desenvolver misturas com temperaturas de fusão ajustáveis e explorar a impressão 3D e fibras de gel para criar um material estável, reciclável e resistente para uso prolongado em edificações.