Novos métodos de diagnóstico buscam ampliar a pesquisa médica voltada para a saúde da mulher
Pesquisadores da Universidade de Murcia desenvolveram um cateter para biópsias líquidas no combate ao câncer de endométrio. Paralelamente, o Migraine Adaptive Brain Center investiga biomarcadores para diagnósticos técnicos de enxaqueca. Ambas as iniciativas buscam reverter a baixa representatividade feminina e a escassez de recursos em pesquisas de saúde voltadas a mulheres
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A disparidade de gênero na pesquisa médica reflete-se em números críticos: mulheres ocupam apenas 33% dos postos de pesquisadores, segundo a UNESCO. Essa desigualdade impacta diretamente a farmacologia, já que somente 5% dos medicamentos são testados e rotulados com orientações para uso durante a amamentação e a gravidez. No campo financeiro, o World Economic Forum aponta que apenas 7% dos recursos de pesquisa são destinados a problemas de saúde que afetam exclusivamente o público feminino.
Para enfrentar esse cenário, projetos como o Dufic, desenvolvido na Universidade de Murcia com financiamento do CaixaImpulse de Inovação em Saúde da Fundação "la Caixa", buscam aprimorar o combate ao câncer de endométrio. A iniciativa, que integra a tese de doutorado de Analuce Canha sob supervisão de Rafael Latorre e Pilar Coy, conta com a atuação da ginecologista Maria Luisa Sánchez-Ferrer. O grupo desenvolveu um cateter para a coleta de fluido uterino de forma minimamente invasiva, permitindo a realização de biópsias líquidas. O método é apresentado como uma alternativa mais eficaz, acessível e indolor em comparação às biópsias tradicionais, que podem causar dor e coletar tecidos insuficientes, retardando o diagnóstico preciso.
A perspectiva de gênero na ciência defende a necessidade de estudar patologias exclusivas das mulheres e evitar a minimização de dores incapacitantes por profissionais de saúde, garantindo a realização de testes adequados para diagnósticos claros.
Outra frente de atuação ocorre no Migraine Adaptive Brain Center, dirigido pela Dra. Patricia Pozo-Rosich e promovido pela Fundação "la Caixa" e pelo Hospital Vall d’Hebron. O centro trabalha na investigação holística e multidisciplinar da enxaqueca para superar a baixa visibilidade da doença. A abordagem divide-se em modelos preclínicos, análise translacional dos processos em diferentes estágios e estudos moleculares. O objetivo é identificar biomarcadores no sangue, lágrimas ou saliva para substituir diagnósticos subjetivos por critérios técnicos, utilizando a epigenética e a tecnologia para tratar a condição.
Além da enxaqueca e do câncer de endométrio, doenças autoimunes e a esclerose múltipla são exemplos de condições que afetam majoritariamente ou exclusivamente as mulheres, mas que historicamente recebem menos atenção e recursos do que outras enfermidades.