Núcleo interno da Terra apresenta comportamento inesperado de rotação em relação à superfície do planeta
A existência de uma esfera metálica de ferro e níquel foi confirmada no centro da Terra. Ela tem aproximadamente 1.221 quilômetros de raio, tamanho comparável à Lua, e permanece sólida sob pressão extrema e temperatura quente. O núcleo interno alternou entre aceleração e desaceleração ao longo das décadas, com velocidades variando de cerca de 0° a 1° por ano mais rápido que a Terra
A Terra esconde segredos profundamente guardados no seu interior. Um dos mais intrigantes é a existência da esfera metálica de ferro e níquel localizada exatamente no centro do nosso planeta, com um raio de aproximadamente 1.221 quilômetros - tamanho comparável à Lua. Sob pressão extrema de mais de 3,3 milhões de atmosferas e temperatura quente, cerca de 5.400 °C, essa estrutura permanece sólida.
A ciência estudou o comportamento desse núcleo interno por meio das ondas sísmicas geradas pelos terremotos que atravessam a Terra. Diversos estudos e pesquisas foram realizados ao longo dos anos para entender como ele se move em relação à superfície do planeta.
Em 1996, um grupo de geofísicos da Universidade de Columbia sugeriu que o núcleo interno poderia girar cerca de 1° por ano mais rápido que a Terra. Essa hipótese ficou conhecida como super-rotação e gerou intenso debate na comunidade científica.
A partir dos dados coletados, os pesquisadores descobriram que o núcleo interno não segue um movimento contínuo de rotação. Em vez disso, ele alterna entre aceleração e desaceleração ao longo das décadas. Entre 2003 e 2008, foi observado uma supersuperrotação com velocidade entre 0,05° e 0,15° por ano.
Porém, em torno de 2010, o comportamento mudou novamente. O núcleo interno começou a girar ligeiramente mais devagar que o manto terrestre - um fenômeno descrito como subrotação. Isso significa que ele passou a se mover no sentido oposto em relação ao restante do planeta.
O estudo também apontou para uma possível deformação física da superfície do núcleo interno, sugerindo que o ferro líquido exterior poderia estar empurrando a esfera interna. Essas pequenas alterações na topografia metálica podem ser responsáveis pelas diferenças nas ondas sísmicas detectadas em diferentes estações.
Além disso, os cientistas descobriram que o núcleo interno pode estar em um estado superiônico da matéria. Isso significa que parte dos átomos permanece organizada em uma rede cristalina sólida - no caso do ferro -, enquanto elementos mais leves se movimentam livremente através dessa estrutura, como se fossem um fluido.
Essa descoberta tem implicações importantes para a compreensão do geodínamo terrestre e o mecanismo responsável por gerar o campo magnético da Terra. O núcleo interno influencia significativamente a configuração desse campo, que é essencial para proteger a atmosfera terrestre.
Por enquanto, os cientistas continuam tentando compreender essa esfera metálica e seus movimentos ao longo das décadas. A Terra ainda guarda muitos segredos no seu interior, aguardando por mais pesquisas e descobertas para revelar suas maravilhas ocultas.