Ciência

Nuvem de poeira acelerou a extinção dos dinossauros ao multiplicar o calor após impacto de asteroide

14 de Outubro de 2026 às 09:08 3 min de leitura

Estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences indica que uma nuvem de poeira intensificou o calor após a colisão do asteroide de Chicxulub há 66 milhões de anos. O fenômeno multiplicou a radiação térmica em 3,5 vezes, causando incêndios e eliminando a maior parte da vida em duas horas. Posteriormente, o bloqueio da luz solar gerou um inverno global que colapsou as cadeias alimentares

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Nuvem de poeira acelerou a extinção dos dinossauros ao multiplicar o calor após impacto de asteroide
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A extinção dos dinossauros, ocorrida há 66 milhões de anos após a colisão do asteroide de Chicxulub, pode ter sido desencadeada de forma muito mais acelerada do que as teorias anteriores sugeriam. Um estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences indica que uma densa nuvem de poeira foi o elemento determinante para a aniquilação em massa, atuando nas primeiras horas após o impacto.

O asteroide, com aproximadamente 10 km de diâmetro, atingiu a península de Yucatán, liberando energia suficiente para vaporizar volumes massivos de rocha. Embora o evento tenha provocado ondas de choque, tsunamis e bolas de fogo, esses fenômenos isolados não teriam a capacidade de destruir ecossistemas em escala global de maneira imediata.

O mecanismo do calor extremo

A catástrofe planetária foi impulsionada pelo material lançado às camadas superiores da atmosfera. A rocha vaporizada, ao esfriar, transformou-se em pequenas gotas de vidro chamadas esférulas. Enquanto a queda dessas partículas gerou um pulso térmico, modelos anteriores consideravam que esse evento não seria capaz de provocar incêndios florestais mundiais.

A nova análise incluiu nas simulações uma camada de poeira extremamente fina, com partículas de cerca de 2,5 micrômetros, detectada em registros geológicos da América do Norte. Essa camada funcionou como um isolante térmico ao redor da Terra, retendo a radiação das esférulas e devolvendo-a à superfície, o que multiplicou a intensidade do calor em 3,5 vezes.

Impacto biológico e colapso ambiental

Essa dinâmica resultou em uma exposição térmica equivalente a 17 vezes a dose letal de radiação para um ser humano. O calor intenso teria causado insolação e queimaduras na pele de dinossauros, além de inflamar rapidamente vegetações como pinheiros, líquenes e gramíneas. Brandon Johnson, cientista planetário da Universidade Purdue e autor principal da pesquisa, afirma que esse cenário teria sido capaz de eliminar a maior parte da vida nas primeiras duas horas após o impacto.

Para Johnson, a distribuição global do material vaporizado foi o que transformou a colisão em uma catástrofe, criando um efeito de "assamento" da superfície terrestre. A propagação dos incêndios não dependeu da combustão direta da madeira, mas sim da inflamação de materiais vegetais mais combustíveis.

Consequências a longo prazo

Após o pulso térmico inicial, a mesma nuvem de poeira bloqueou a luz solar por anos ou décadas, instaurando um inverno global que levou ao colapso das cadeias alimentares. Nesse contexto, a sobrevivência ficou restrita a animais que conseguiram abrigo em águas rasas ou tocas.

A descoberta reforça a tese de que o impacto de Chicxulub foi a causa primordial da extinção, superando a influência da atividade vulcânica. No entanto, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários mais registros geológicos para confirmar se a intensidade dos incêndios foi uniforme em todo o planeta.

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