Ciência

Objeto interestelar 3I/ATLAS apresenta liberação atípica de metano ao atravessar o Sistema Solar

29 de Maio de 2026 às 12:19

O objeto interestelar 3I/ATLAS atravessou a zona habitável do Sistema Solar emitindo fragmentos de rocha, gelo e moléculas orgânicas. O telescópio Webb e o observatório SPHEREx registraram a liberação tardia de metano, substância detectada após a aproximação do corpo celeste ao Sol

Objeto interestelar 3I/ATLAS apresenta liberação atípica de metano ao atravessar o Sistema Solar
ESA/Hubble, NASA, ESO, M. Kornmesser

O objeto interestelar 3I/ATLAS atravessou a zona habitável do Sistema Solar mantendo uma trajetória alinhada a menos de 4,88 graus em relação ao plano orbital da Terra. Durante esse percurso, o corpo celeste apresentou um jato direcionado ao Sol, composto por fragmentos de rocha e gelo de água com densidade suficiente para resistir à radiação e ao vento solar.

A análise química do objeto revelou a presença de moléculas orgânicas, incluindo etano (C₂H₆), metano (CH₄), formaldeído (H₂CO) e metanol (CH₃OH). O observatório espacial SPHEREx registrou uma taxa de produção de 5×10²⁶ moléculas por segundo, volume que corresponde a 10% da produção de moléculas de água no mesmo período.

A detecção de metano, confirmada pelo telescópio Webb, ocorreu apenas após a aproximação do 3I/ATLAS ao Sol. Esse comportamento é considerado atípico devido à alta volatilidade do gelo de metano, que sublima a -220 graus Celsius, temperatura significativamente inferior aos -97 graus Celsius do dióxido de carbono (CO₂). Teoricamente, o metano deveria ter sido liberado nas camadas superficiais durante as primeiras fases de desgasificação, porém nem o Webb nem o SPHEREx detectaram a substância em agosto de 2025. O fato de o monóxido de carbono (CO), que é ainda mais volátil, ter sido detectado antes do metano reforça a anomalia da liberação tardia deste gás.

Essa característica é relevante porque o metano é classificado como uma bioassinatura robusta em atmosferas de exoplanetas, podendo ser o primeiro indicador de vida extraterrestre, conforme defendido em publicação da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). A possibilidade de que a desgasificação de metano do 3I/ATLAS tenha sido causada por atividade biológica fundamenta a hipótese da panspermia, na qual fragmentos de poeira ou gelo transportariam vida para planetas habitáveis.

A viabilidade de microrganismos sobreviverem a longas viagens interestelares em estado de congelamento encontra precedentes em estudos terrestres. Registros indicam a sobrevivência de organismos em cristais de gelo sob três quilômetros de neve por mais de 30 mil anos. Pesquisas da Universidade de California em Berkeley, publicadas no PNAS, explicam que microrganismos podem criar películas de água líquida ao seu redor para difundir gases como oxigênio, hidrogênio e metano, garantindo a subsistência. Adicionalmente, um estudo de 2020 na Nature Communications demonstrou que organismos em sedimentos rochosos a 75 metros abaixo do leito oceânico do Pacífico Sul sobreviveram por mais de 100 milhões de anos em condições de baixa energia, recuperando a capacidade de metabolizar e se multiplicar após reativação em laboratório.

Em nota de pesquisa de 3 de fevereiro de 2026, a análise do 3I/ATLAS sugere que a trajetória coincidente com o plano orbital dos planetas habitáveis e o jato de fragmentos resistentes poderiam indicar uma panspermia dirigida. Nesse cenário, o objeto teria sido semeado intencionalmente por um agente externo para fertilizar planetas do Sistema Solar.

A confirmação dessa hipótese dependeria da detecção, pelo observatório Rubin do NSF-DOE, de outros icebergs interestelares com preferência estatística pelo plano eclíptico. Caso isso ocorra, a recomendação seria o planejamento de missões espaciais para interceptar esses corpos e analisar a composição do material liberado, buscando identificar se a vida na Terra teria sido originada por esse processo de semeadura cósmica.

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