Objeto interestelar 3I/ATLAS apresenta moléculas orgânicas e levanta a hipótese de panspermia dirigida
O objeto interestelar 3I/ATLAS atravessou a zona habitável do Sistema Solar emitindo fragmentos de rocha e gelo. O observatório SPHEREx e o Telescópio Webb detectaram moléculas orgânicas, com destaque para a liberação tardia de metano ao se aproximar do Sol
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O objeto interestelar 3I/ATLAS atravessou a zona habitável do Sistema Solar mantendo uma trajetória alinhada a menos de 4,88 graus em relação ao plano orbital da Terra. Durante sua passagem, o corpo celeste apresentou um jato direcionado ao Sol, composto por fragmentos de rocha e gelo de água com densidade suficiente para resistir à radiação e ao vento solar.
O observatório espacial SPHEREx identificou a presença de moléculas orgânicas, incluindo metano (CH₄), etano (C₂H₆), formaldeído (H₂CO) e metanol (CH₃OH). A taxa de produção dessas substâncias foi de 5×10²⁶ moléculas por segundo, volume que corresponde a 10% da produção de moléculas de água no mesmo período. O Telescópio Webb confirmou a detecção do metano, porém o gás só foi observado após a aproximação do objeto com o Sol.
Essa liberação tardia de metano gera questionamentos técnicos, pois o gelo de metano é altamente volátil, com temperatura de sublimação de -220 graus Celsius — significativamente menor que a do dióxido de carbono (-97 graus Celsius). Teoricamente, o metano deveria ter sublimado nas camadas superficiais antes do periélio, mas registros de agosto de 2025 do SPHEREx e do Webb não detectaram o gás. O fato de o monóxido de carbono, que é ainda mais volátil, ter sido detectado precocemente, reforça a anomalia da aparição do metano apenas na proximidade solar.
A detecção de metano é relevante porque, em atmosferas de exoplanetas, o gás é considerado um forte indicador de atividade biológica, conforme defendido em publicação da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Essa característica, somada ao jato de detritos, levanta a hipótese de panspermia, processo em que fragmentos de poeira ou gelo transportariam vida extraterrestre para planetas habitáveis.
A viabilidade de microrganismos sobreviverem a longas viagens interestelares em icebergs é sustentada por evidências terrestres. Estudos indicam que organismos sobrevivem no gelo por milhões de anos, com registros de vida preservada sob três quilômetros de neve por mais de 30 mil anos. Pesquisas da Universidade da Califórnia em Berkeley, publicadas na PNAS, explicam que microrganismos podem criar películas de água líquida para difundir gases como oxigênio e metano, garantindo a sobrevivência em condições extremas. Outro estudo de 2020, na Nature Communications, demonstrou que organismos a 75 metros abaixo do leito oceânico do Pacífico Sul sobreviveram por mais de 100 milhões de anos em estado de hibernação, recuperando a atividade metabólica após reativação em laboratório.
A análise da trajetória do 3I/ATLAS e a natureza de seu jato sugerem a possibilidade de panspermia dirigida, na qual o objeto teria sido semeado intencionalmente por uma inteligência externa para atingir planetas habitáveis. Caso o observatório Rubin detecte outros icebergs interestelares com preferência estatística pelo plano eclíptico, a hipótese de uma missão de fertilização ganharia sustentação. Para validar a existência de vida extraterrestre nesses corpos, seria necessária a interceptação de icebergs por sondas espaciais para a análise da composição do material liberado.