Objetos interestelares poderiam ser utilizados como transporte para acelerar a exploração da Via Láctea
A astronomia identificou três objetos interestelares na última década, e a instalação de tecnologia nesses corpos poderia viabilizar viagens espaciais mais rápidas. O Projeto Galileo investiga artefatos e UAPs para verificar se civilizações extraterrestres utilizam esse método de transporte. A meta atual é utilizar o próximo visitante, o 4I/Rubin, como transporte
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Na última década, a astronomia identificou três objetos interestelares com dimensões superiores a um campo de futebol que atravessaram o sistema solar interno: o 1I/'Oumuamua, o 2I/Borisov e o 3I/ATLAS. A passagem desses corpos celestes representou oportunidades perdidas para a humanidade, já que a instalação de dispositivos tecnológicos nesses visitantes permitiria viagens significativamente mais rápidas do que as cinco sondas interestelares lançadas pelos seres humanos até hoje.
A estratégia do "carona" galáctico
A utilização de objetos interestelares como transporte poderia permitir que a Terra espalhasse centenas de milhões de embaixadores tecnológicos pela Via Láctea ao longo de um bilhão de anos, antes que o Sol evapore os oceanos terrestres. Esses mensageiros, disfarçados de corpos naturais, funcionariam como "cavalos de Troia", facilitando a entrada em territórios vigiados por civilizações extraterrestres.
O plano de operação desses dispositivos envolveria a ativação quando a luz de fundo de uma estrela próxima atingisse o limite de habitabilidade (cerca de um quilo por metro quadrado). No ponto de maior aproximação da estrela, os dispositivos se separariam do portador em direção perpendicular à aceleração gravitacional. Para alcançar a órbita desejada, seria aplicada uma manobra de Oberth — utilizando o motor para frear na direção oposta à velocidade do portador. Esse processo poderia culminar na panspermia dirigida, através da busca por planetas com condições sólidas e líquidas para semear vida biológica.
Cálculos indicam que centenas de sondas poderiam atingir a zona habitável de estrelas semelhantes ao Sol em um bilhão de anos. Se apenas 1% das estrelas desse tipo na galáxia abrigassem civilizações dedicadas a essa prática, todas as zonas habitáveis da Via Láctea teriam sido visitadas em apenas um décimo da idade da galáxia.
Alternativas à autorreplicação
Embora existam conceitos de naves autorreplicantes — propostos por John von Neumann nos anos 1950 e Ronald Bracewell na década seguinte —, a implementação é complexa. A dificuldade reside na necessidade de construir fábricas de semicondutores e robôs com inteligência artificial a partir de matérias-primas planetárias, além de criar naves capazes de vencer a gravidade do planeta para novas missões.
Uma alternativa viável seria converter as próprias matérias-primas dos objetos interestelares em naves espaciais. Como esses corpos já viajam acima da velocidade de escape de qualquer sistema planetário, elimina-se a necessidade de pousos e decolagens arriscadas. Ao longo da história galáctica, uma civilização pioneira poderia ter fabricado bilhões de naves a partir de objetos naturais do tamanho de um campo de futebol, escala mil vezes superior a qualquer carga útil lançada pela humanidade.
Investigação de artefatos e UAPs
A possibilidade de civilizações extraterrestres utilizarem esse método é o foco do Projeto Galileo, que busca artefatos tecnológicos próximos à Terra. O projeto utiliza três unidades de observação separadas por dez quilômetros para medir a distância de objetos anômalos. Atualmente, a iniciativa analisa UAPs (Fenômenos Anômalos Não Identificados), comparando a velocidade desses objetos com a de tecnologias humanas. Paralelamente, o Conselho Consultivo Científico sobre UAP analisa dados coletados pelo governo dos Estados Unidos.
A investigação de UAPs é vista como uma forma de estimular o interesse público pela ciência, unindo a preocupação com a segurança nacional e a questão sobre a existência de outras civilizações. A descoberta de que viagens interestelares foram realizadas por outras espécies serviria de incentivo para que a humanidade se tornasse uma espécie interestelar.
Essa expansão garantiria que a herança humana persistisse mesmo diante de catástrofes terrestres. Sob a perspectiva do filósofo Epicuro, a antecipação da extinção gera sofrimento desnecessário, pois a vida e a morte são mutuamente exclusivas. Com foco no futuro, a meta agora é utilizar o próximo visitante interestelar, o 4I/Rubin, como transporte.