Óculos desenvolvidos nos Estados Unidos monitoram a saúde usando energia de movimentos faciais
Engenheiros da Universidade Northwestern criaram o GlassTENG, óculos que monitoram a saúde usando energia de movimentos faciais via nanogeradores triboelétricos. O protótipo registrou 93,8% de precisão em testes com 20 voluntários e será apresentado no simpósio UbiComp/ISWC 2026
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Engenheiros da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram o GlassTENG, um protótipo de óculos capaz de monitorar a saúde do usuário sem a necessidade de baterias externas ou recargas. O dispositivo utiliza a energia mecânica gerada por movimentos faciais involuntários e voluntários para alimentar sensores integrados à armação.
Funcionamento e tecnologia de energia
O sistema opera por meio de nanogeradores triboelétricos (TENG), que são componentes finos capazes de converter a eletricidade estática — produzida pelo contato e separação entre a pele do rosto e os materiais dos óculos — em energia elétrica.
A tecnologia aproveita a frequência natural de piscar dos olhos, que ocorre entre 14 e 20 vezes por minuto, além de outros gestos como sorrir, levantar as sobrancelhas ou apertar a mandíbula. Como os sensores são flexíveis, a voltagem é gerada no momento em que as camadas do dispositivo são pressionadas e separadas pelos movimentos faciais, permitindo que o próprio gesto monitorado forneça a energia necessária para a detecção.
Monitoramento e precisão dos dados
Para a validação do protótipo, a equipe instalou três sensores em pontos estratégicos da armação:
- Ponte do nariz: monitora piscares, movimentos das sobrancelhas e o pulso via artéria angular.
- Testa: capta a atividade da mandíbula e o pulso através da artéria temporal superficial.
- Próximo à orelha: detecta o ato de morder ou apertar os dentes.
Cada atividade gera uma assinatura elétrica específica. O pulso produz entre 50 e 100 milivolts, enquanto piscares e movimentos de sobrancelhas geram de 200 a 500 milivolts. Já os movimentos mais intensos da mandíbula podem atingir 1,5 volts.
Testes realizados com 20 voluntários, analisados por um algoritmo de aprendizado de máquina, registraram uma precisão geral de 93,8%. O sistema identificou o choque de dentes com 99% de acerto e o aperto da mandíbula com 96%. No monitoramento do pulso, realizado com 10 participantes em repouso, a margem de erro foi de 1,82 batimentos por minuto.
Limitações e perspectivas futuras
Apesar dos resultados, o dispositivo apresenta dificuldades em distinguir a fala da alimentação, com a fala sendo identificada corretamente em apenas 55% dos casos e confundida com o ato de comer em 37%. Essa imprecisão ocorre porque ambos os movimentos ativam o músculo temporal de maneira similar.
Atualmente, o GlassTENG transmite as informações para smartphones ou tablets via Bluetooth. O objetivo dos pesquisadores é tornar o dispositivo independente, integrando a capacidade de processamento no próprio aparelho. Isso permitiria, por exemplo, que o usuário recebesse um alerta imediato para relaxar a mandíbula ao detectar episódios de bruxismo, além de monitorar a fadiga e a saúde cardiovascular.
O projeto será apresentado oficialmente no simpósio UbiComp/ISWC 2026, em Xangai. A iniciativa visa transformar um acessório já utilizado por mais de 4 bilhões de pessoas em uma ferramenta de saúde contínua, sem alterar os hábitos diários da população.