Ciência

Painéis solares podem agora ser autolimpantes sem perda de eficiência

12 de Março de 2026 às 18:19

Um grupo internacional de cientistas desenvolveu um revestimento autolimpante para painéis solares que repeliria poeira e sujeira sem afetar a eficiência energética. A inovação combina sílica com amoníaco verde, reduzindo a necessidade de manutenção das instalações fotovoltaicas. O revestimento pode ser aplicado em novos painéis ou nas existentes e tem potencial para contribuir na expansão da energia solar como fonte renovável no mundo

Painéis solares podem agora ser autolimpantes sem perda de eficiência
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Um grupo internacional de cientistas desenvolveu uma revestimento autolimpante para painéis solares capaz de repelir poeira e sujeira sem afetar sua eficiência energética. A inovação, resultado da colaboração entre pesquisadores chineses e indianos, combina sílica com amoníaco verde para reduzir a necessidade de manutenção das instalações fotovoltaicas.

A equipe projetou uma estrutura transparente em duas camadas que protege o vidro dos painéis sem bloquear a radiação solar. Essa tecnologia pode ser aplicada tanto em novos painéis quanto nas instalações existentes, como afirma Sudhagar Pitchaimuthu, diretor associado de materiais energéticos do Research Centre for Carbon Solutions da Universidade Heriot-Watt.

A chave para o sistema está na combinação de uma camada adesiva extremamente fina com nanopartículas hidrofóbicas de sílica. Durante a cura, essas partículas se fixam na superfície e geram micro-rugosidade que modifica a interação entre água e material.

Essa textura microscópica aprisiona pequenas bolsas de ar, fazendo com que a água forme gotas quase esféricas. Ao rolarem pelo painel, elas arrastam poeira e outras partículias em um fenômeno semelhante ao chamado "efeito lótus", uma planta conhecida por manter suas folhas limpas mesmo em ambientes úmidos ou poeirentos.

Um dos aspectos mais relevantes desse desenvolvimento é a escolha de materiais. Diferentemente de muitos revestimentos industriais, que utilizam PFAS (químicos eternos) persistentes no meio ambiente, o novo sistema dispensa essas substâncias e utiliza sílica abundante obtida da areia ou do quartzo.

Além disso, os pesquisadores usaram amoníaco verde no processo de fabricação, produzido a partir de hidrogênio obtido a partir de energias renováveis. O próximo passo será testar o revestimento em condições climáticas extremas para que a tecnologia chegue ao mercado dentro dos próximos cinco anos.

A inovação tem potencial para reduzir significativamente os custos e recursos necessários para manter as instalações fotovoltaicas limpas. Com isso, pode contribuir diretamente na expansão da energia solar como fonte de eletricidade renovável no mundo.

Com informações de El Confidencial

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