Ciência

Pegadas fósseis no Quênia indicam que o Paranthropus boisei era maior do que se imaginava

04 de Agosto de 2026 às 18:08

Pegadas de Paranthropus boisei datadas de 1,43 milhão de anos, encontradas no Lago Turkana, indicam que a espécie pesava cerca de 75 kg e media 1,8 metro. O registro de oito indivíduos, majoritariamente machos adultos, sugere uma estrutura social complexa

Pegadas fósseis no Quênia indicam que o Paranthropus boisei era maior do que se imaginava
Smithsonian/Kay Behrensmeyer

A descoberta de pegadas fósseis nas proximidades do Lago Turkana, no Quênia, está provocando a reavaliação de conceitos sobre o porte físico e a organização social do Paranthropus boisei. O estudo, detalhado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, analisa marcas deixadas em solo úmido há aproximadamente 1,43 milhão de anos, durante o Pleistoceno.

Dimensões corporais e coexistência

A análise do sítio arqueológico GaJi10 revela que o Paranthropus boisei, hominídeo caracterizado por um sistema mastigatório robusto e dentes volumosos, possuía dimensões físicas superiores às imaginadas anteriormente. De acordo com Kevin Hatala, pesquisador do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva e da Universidade de Chatham, as pegadas sugerem indivíduos com cerca de 75 kg e altura aproximada de 1,8 metro.

Esses dados indicam que essa espécie atingia um tamanho corporal comparável ao do Homo erectus. A coexistência entre ambos no mesmo ambiente já havia sido sugerida em 2024, quando o mesmo grupo de pesquisadores documentou outra área de rastros, ligeiramente mais antiga, onde ambas as espécies estavam presentes.

Estrutura social e comportamento

Diferente dos registros fósseis ósseos, que oferecem fragmentos anatômicos isolados, as pegadas preservam a dinâmica de um momento específico. No local, foram documentados rastros de oito indivíduos, além de marcas de antílopes e hipopótamos.

A distribuição dos passos sugere que a maioria do grupo era composta por machos adultos, sem a presença de fêmeas ou filhotes. Para Neil Roach, da Universidade de Harvard, essa configuração indica uma estrutura social complexa, na qual os machos poderiam conviver em comunidades amplas, tolerando a presença uns dos outros por questões de segurança, apesar da competição por parceiras.

Histórico de escavações no Quênia

O sítio GaJi10 foi identificado inicialmente em 1978 por uma equipe liderada pela geóloga Kay Behrensmeyer, do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian. Na ocasião, a descoberta de pegadas de hominídeos ocorreu após a identificação de marcas de hipopótamos em um canal geológico.

A extensão total do achado foi consolidada apenas após novas etapas de escavação realizadas em 2016 e 2023. A região da costa oriental do Lago Turkana é considerada um arquivo fundamental para a evolução humana, pois abriga centenas de pegadas depositadas ao longo de mais de 100 mil anos.

Purity Kiura, dos Museus Nacionais do Quênia, ressalta que a região é crucial para compreender a vida dos parentes evolutivos da humanidade. As próximas etapas da pesquisa focarão na geologia do local para entender a atração dos hominídeos por aquelas margens e os processos de preservação dos rastros.

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