Peixes-bola inéditos detectados nas Rías Baixas: mudanças climáticas transformam ecossistema marinho
Dois peixes-bola inéditos foram detectados nas Rías Baixas da Galícia: o peixe-bola verde em 2021 e um peixe-bola de terra no rio Pontevedra em 2025. O estudo alerta para a tropicalização do mar associada às mudanças climáticas, que está levando à expansão de espécies tropicais na região. A presença desses peixes pode representar um risco potencial para a saúde e um impacto significativo no ecossistema marinho galego
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A Galícia está vivendo um momento de grande transformação no seu ecossistema marinho. Dois peixes-bola inéditos foram detectados nas Rías Baixas e analisados em um estudo publicado na revista Fisher, que alerta para a tropicalização do mar associada às mudanças climáticas. O estudo global dos Tetraodontiformes nas águas espanholas permitiu traçar um mapa detalhado de sua distribuição entre a Península Ibérica e as Ilhas Canárias. A Galícia se destacou com dois registros inéditos: o peixe-bola verde, detectado em 2021 na costa da Vela, e um peixe-bola de terra localizado em 2025 no rio de Pontevedra. As análises morfológicas, testes genéticos e documentação fotográfica garantiram a confiabilidade do achado. A presença desses peixes em áreas onde antes não conseguiam sobreviver levanta questões sobre a velocidade com que as condições do oceano estão mudando. Rafael Bañón, pesquisador da CSIC, explica que o aumento da temperatura da água está provocando uma "difusão" das fronteiras térmicas marinhas. Esse processo facilita que espécies tropicais encontrem no Atlântico galego um ambiente adequado para sobreviver e se expandir. A chegada dessas espécies não apenas representa um risco potencial para a saúde, pois os peixes-bola contêm tetrodotoxina, uma neurotoxina extremamente perigosa sem antídoto conhecido. Além disso, esses peixes representam um impacto ecológico significativo. O monitoramento marinho deve ser intensificado para antecipar futuros cenários. O que hoje se interpreta como um achado isolado pode se tornar uma tendência consolidada nos próximos anos, redefinindo completamente o ecossistema marinho galego.