Pentágono revela primeira imagem de alta resolução do avião espacial secreto da China
A Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos divulgou a primeira imagem de alta resolução do avião espacial chinês Shenlong. A aeronave experimental reutilizável realizou quatro missões desde 2020, incluindo operações de lançamento e captura de subsatélites. O relatório alerta ainda para a possível implantação de sistemas de energia direcionada no espaço por Pequim até o fim da década
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A Agência de Inteligência de Defesa (DIA), braço de espionagem militar do Pentágono, revelou a primeira imagem de alta resolução do avião espacial secreto da China. A fotografia, capturada em 2024 por um satélite da empresa Vantor (anteriormente Maxar), detalha a aeronave conhecida no Ocidente como Shenlong.
O veículo apresenta características físicas quase idênticas ao X-37B, o minitransbordador robótico da Força Espacial dos Estados Unidos, possuindo asas em delta, escudo térmico preto e portas de carga. A imagem também registra painéis solares na parte traseira, que, segundo a Vantor, pertencem a um satélite acoplado à nave.
Operações e capacidades orbitais
Classificada pelo governo chinês como uma "nave experimental reutilizável", a aeronave opera decolando na cabine de um foguete, desempenhando funções de satélite e retornando para pouso autônomo em pista. Desde 2020, o veículo realizou quatro missões:
- Primeiro voo: duração de dois dias;
- Segundo voo: 276 dias;
- Terceiro voo: 268 dias (período em que a foto foi tirada);
- Quarto voo: iniciado em fevereiro e permanece em órbita.
Durante a segunda missão, a DIA observou a nave manobrando a um quilômetro de um satélite companheiro, chegando a se aproximar a menos de 100 metros. Já em 2024, análises do astrofísico Jonathan McDowell indicam que a nave realizou a operação de lançar e recapturar um subsatélite em junho e julho, repetindo o processo em agosto e setembro. Embora a captura de objetos em órbita seja útil para reparos e inspeções, a técnica também permite a interferência em satélites estrangeiros.
Ameaça de armas de laser no espaço
O relatório "Desafios à Segurança no Espaço" traz um alerta sobre a evolução do arsenal chinês. Atualmente, Pequim utiliza lasers terrestres para degradar ou danificar satélites em órbita baixa. No entanto, a inteligência americana prevê que, até o final desta década, a China poderá implantar sistemas de energia direcionada diretamente no espaço, além de potenciar as bases terrestres para atingir satélites em órbitas mais altas.
Essa evolução representa um risco para infraestruturas críticas, como satélites de meteorologia, fotografia de terreno e monitoramento de mísseis. Diferente de um ataque com mísseis — como o ocorrido em 2007, quando a China destruiu um satélite meteorológico e gerou mais de 3.500 fragmentos de detritos, dos quais 2.400 ainda orbitam a Terra —, o uso de lasers pode inutilizar um alvo sem criar nuvens de destroços.
Tecnologia de duplo uso e contexto global
A DIA baseia a previsão de armas orbitais em estudos chineses sobre o uso de lasers para a remoção de lixo espacial. Trata-se de uma tecnologia de duplo uso, pois a capacidade de frear fragmentos de detritos é a mesma necessária para cegar sensores de satélites espiões. Enquanto a China afirma, via agência Xinhua, que seus testes visam o uso pacífico do espaço, a imprensa militar do país já declarava, em 2021, que os lasers de combate viviam uma "idade de ouro".
O cenário de militarização orbital é bilateral. Recentemente, o Secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, admitiu que o país possui armas de controle espacial em órbita, tornando os Estados Unidos a primeira nação a confessar a posse de armamentos orbitais.