Ciência

Perda de massa do Sol pode desestabilizar as órbitas dos planetas gigantes do Sistema Solar

31 de Outubro de 2026 às 18:01 2 min de leitura

Estudo publicado na The Astrophysical Journal Letters indica que a perda de massa do Sol pode desestabilizar as órbitas de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Simulações mostram que ejeções bruscas de matéria podem causar trocas de posição ou a expulsão de planetas para o espaço interestelar. Cerca de 90% dos cenários analisados perderam a configuração estável em até três bilhões de anos

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Perda de massa do Sol pode desestabilizar as órbitas dos planetas gigantes do Sistema Solar
Novas simulações sugerem que planetas gigantes podem colidir ou ser expulsos do Sistema Solar com a evolução final do Sol.

A perda de massa do Sol durante sua evolução final pode desestabilizar a configuração orbital dos planetas gigantes do Sistema Solar. Um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters indica que a liberação de camadas externas da estrela pode provocar interações gravitacionais violentas, resultando em trocas de posição entre os corpos celestes ou até a expulsão de planetas para o espaço interestelar.

A pesquisa, conduzida por Konstantin Batygin, Jim Fuller e Fred C. Adams, contesta a premissa de que a redução da massa solar ocorreria de forma suave. Em vez disso, os cientistas analisaram o impacto de ejeções de matéria lançadas em direções independentes, o que gera recuos na estrela. Esse movimento, quando acumulado, é capaz de desorganizar as órbitas de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

Modelagem e Simulações

Para testar a hipótese, foram realizadas 672 simulações que compararam três cenários distintos:

  • Perda de massa de maneira suave;
  • Ejeções separadas ao longo de toda a fase de gigante vermelha;
  • Ejeções concentradas apenas nas etapas finais da evolução estelar.

Enquanto a perda suave manteve a estabilidade da região externa do sistema, os cenários de ejeções bruscas resultaram em órbitas alongadas e instabilidades severas. Os parâmetros utilizados baseiam-se em recuos observados em anãs brancas, que são os remanescentes compactos de estrelas que já perderam suas camadas externas.

Impactos na Estabilidade do Sistema Solar

Os modelos revelam que a estabilidade do sistema externo é significativamente reduzida sob essas condições. Cerca de 40% das simulações apresentaram desorganização ou interações gravitacionais intensas antes mesmo da formação da anã branca. Além disso, aproximadamente 90% dos cenários analisados perderam a configuração estável em um período de até três bilhões de anos.

O estudo aponta que o cruzamento de órbitas pode ter início ainda durante a fase de gigante vermelha. Nesse contexto, a duração estimada para a manutenção da estabilidade dos planetas gigantes cai para cerca de um bilhão de anos após a consolidação da estrela como anã branca.

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