Ciência

Pesquisador do MIT propõe método para detectar armas nucleares em satélites em órbita

12 de Julho de 2026 às 12:17

Areg Danagoulian, professor do MIT, propôs na revista Nature um método para detectar armas nucleares em satélites via observação de nêutrons nos cinturões de Van Allen. A técnica sugere o uso de satélites-inspetores com detectores de diamante e sensores de nêutrons para identificar materiais fisíveis. O sistema poderia localizar armamentos a 4 quilômetros de distância após uma semana de monitoramento

Pesquisador do MIT propõe método para detectar armas nucleares em satélites em órbita
Revista Air & Space Forces

Um pesquisador do MIT propôs um novo método de detecção para identificar armas nucleares em satélites em órbita, buscando preencher uma lacuna de fiscalização no Tratado sobre o Espaço Ultraterrestre. O estudo, publicado na revista *Nature* por Areg Danagoulian, professor associado de Ciência e Engenharia Nuclear, apresenta um conceito de verificação baseado na observação de nêutrons induzidos pela dispersão de prótons nos cinturões de Van Allen.

O Tratado sobre o Espaço Ultraterrestre, elaborado pela ONU em 1967 e ratificado pelas principais potências espaciais, proíbe a reivindicação de soberania no espaço e a presença de armas nucleares. Embora a viabilidade técnica e o alto custo tenham desencorajado tais armamentos durante a Guerra Fria, a atual tensão entre Estados Unidos e Rússia trouxe o debate de volta à pauta de segurança global.

A vulnerabilidade do acordo reside na impossibilidade de confirmar se um satélite transporta material atômico sem a observação direta. Um exemplo recente ocorreu em 2022, quando a Rússia lançou o satélite Cosmos2553. Apesar de Moscou alegar tratar-se de um equipamento comum, o governo americano alertou para a possibilidade de transporte de armamento espacial. O satélite foi posicionado em uma região incomum da órbita terrestre baixa (LEO), atravessando o ambiente altamente radioativo do cinturão de Van Allen, local que, segundo Danagoulian, seria ideal para capturar elétrons em caso de detonação termonuclear.

A detonação de uma arma nuclear no espaço criaria um cinturão de radiação artificial composto por elétrons de alta energia, capaz de inutilizar a densa população de satélites na LEO, incluindo a Estação Espacial Internacional, a estação chinesa Tiangong, constelações como a Starlink e satélites meteorológicos e de vigilância da NASA e ESA.

A proposta de Danagoulian baseia-se na física da interação entre prótons energéticos e elementos de alto número atômico, como urânio e plutônio. Quando um próton colide com esses materiais fisíveis, pode expelir cerca de 40 nêutrons. O desafio técnico consiste em diferenciar esses nêutrons dos que ocorrem naturalmente na órbita ou dos emitidos por satélites convencionais.

Para isso, o pesquisador sugere a utilização de um satélite-inspetor equipado com detectores de diamante e painéis de sensores de nêutrons, conhecidos como cintiladores. Esse sistema permitiria distinguir prótons e elétrons de nêutrons provenientes de material radioativo, além de identificar a direção da emissão para confirmar se a fonte é o satélite alvo.

De acordo com os cálculos do estudo, uma plataforma de detecção no tamanho de um CubeSat de 9U conseguiria identificar uma arma termonuclear a 4 quilômetros de distância após uma semana de observação. Esse tempo seria reduzido para apenas uma hora caso o inspetor se aproximasse a 1.000 metros do alvo.

Embora o sistema ainda não tenha sido totalmente testado e demande a resolução de questões práticas, o trabalho visa demonstrar a viabilidade científica da detecção. O objetivo final é substituir a dependência de serviços de inteligência — que podem ser imprecisos ou falsificados — por evidências físicas, reduzindo a desconfiança entre as nações e mitigando o risco de escaladas nucleares acidentais.

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