Pesquisadores atribuem sinal "WOW!" de 1977 a emissões estelares que excitaram nuvem de hidrogênio
A busca por inteligência extraterrestre segue sem evidências conclusivas, apesar de registros como o sinal "WOW!", a ráfaga de Lorimer e a detecção BLC1. O governo dos Estados Unidos também divulga arquivos sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados
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A busca por inteligência extraterrestre, fundamentada em estudos que remontam à década de 1970 e intensificada no início do século XXI, permanece sem evidências conclusivas, embora a possibilidade de civilizações alienígenas não tenha sido descartada. A ausência de contatos pode derivar de limitações tecnológicas humanas para a detecção de mensagens ou do fato de a humanidade ainda não ter atingido o nível de desenvolvimento necessário para estabelecer tal comunicação, perspectiva que ecoa o ensaio de 1933 de Konstantin Tsiolkovski sobre a habitabilidade dos planetas.
Entre os registros mais emblemáticos está o sinal "WOW!", captado em 1977 pelo Observatório Radioastronómico da Universidade Estadual de Ohio. O fenômeno consistiu em um sinal de rádio de banda estreita com duração de 72 segundos, proveniente da constelação de Sagitário. A frequência de emissão, de 1420 MHz — a mesma do hidrogênio neutro, elemento abundante no cosmos —, levou o astrônomo Jerry Ehman a marcar a detecção com a expressão "WOW!", alimentando especulações sobre sua origem artificial. Contudo, a falta de modulação e a impossibilidade de replicar o sinal em campanhas posteriores geraram dúvidas. Embora em 2017 tenha surgido a hipótese de que o sinal fosse fruto de uma nuvem de hidrogênio de um cometa, a tese foi refutada por Yvette Cendes, do Instituto Dunlap da Universidade de Toronto. Mais recentemente, em 2024, pesquisadores do Laboratório de Habitabilidade Planetária, baseando-se em observações de 2020 do Observatório de Arecibo, concluíram que o evento provavelmente resultou de emissões estelares que excitaram uma nuvem de hidrogênio.
Outros fenômenos astronômicos também mobilizaram a comunidade científica. Em 2001, foi registrada a ráfaga de rádio de Lorimer, um sinal de 5 milissegundos detectado próximo à Pequena Nuvem de Magalhães, marcando a primeira vez que se captou um sinal de rádio de origem extragaláctica. A natureza exata da ráfaga permanece desconhecida, mas a hipótese predominante aponta para estrelas de nêutrons de rotação rápida com campos magnéticos intensos. Já em 2015, participantes do projeto Planet Hunters identificaram anomalias na estrela KIC 8462852, situada a 1.470 anos-luz da Terra. A estrela, conhecida como estrela de Tabby, apresentou quedas bruscas de brilho em 2011 e 2013, o que sugeriu a existência de uma megaestrutura artificial, a estrutura de Dyson, possibilidade que foi posteriormente descartada por novas observações.
No campo da detecção de sinais em sistemas vizinhos, astrônomos anunciaram, em 18 de dezembro de 2020, a captação do sinal BLC1, proveniente de Próxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, através do radiotelescópio de Parkes. Paralelamente, o governo dos Estados Unidos passou a tratar de Fenômenos Anômalos Não Identificados (FANI). Desde a publicação de um relatório em 2021, o Departamento de Defesa tem liberado arquivos históricos, incluindo registros das missões Apolo com fotografias e relatos de Neil Armstrong e Buzz Aldrin sobre objetos estranhos avistados na Lua.
A persistência do silêncio cósmico mantém aberta a questão de Fermi, discutida por Hart e Tipler. O cenário atual indica que a humanidade pode estar enfrentando a inexistência de outras civilizações ou, alternativamente, a incapacidade técnica de processar transmissões que já tenham sido enviadas.