Pesquisadores chineses desenvolvem painel solar subaquático para alimentar dispositivos em profundidades oceânicas
Pesquisadores da Universidade de Yunnan criaram um painel solar subaquático de perovskita para alimentar dispositivos submersos. O sistema converteu 35% da luz disponível a 10 metros de profundidade e manteve 99,6% da eficiência após 40 dias em água salgada. A tecnologia visa suprir sensores marinhos e veículos autônomos
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Pesquisadores da Universidade de Yunnan, na China, desenvolveram um painel solar subaquático capaz de gerar eletricidade em profundidades oceânicas. Liderado por Simin Ma, o projeto utiliza células de perovskita adaptadas para captar comprimentos de onda específicos da luz que conseguem penetrar na água, superando a limitação dos painéis fotovoltaicos convencionais.
O foco da tecnologia não é a substituição de usinas terrestres, mas o fornecimento de energia para dispositivos submersos que demandam autonomia por longos períodos.
A composição da perovskita e a resistência à água
Diferente do silício, material padrão da indústria solar, a perovskita permite modificações químicas para absorver regiões precisas do espectro luminoso. Essa característica é fundamental, já que a água bloqueia a maior parte da radiação utilizada pelas células de silício.
Para viabilizar a operação em ambiente marinho, a equipe integrou o cloreto de polihexametileno guanidina à estrutura do painel. Esse aditivo desempenha três funções simultâneas:
- Cria uma camada repelente à água;
- Estimula a formação de cristais maiores na estrutura da perovskita;
- Reduz a movimentação de íons na rede cristalina, combatendo a degradação e otimizando a conversão de radiação em energia.
Eficiência e durabilidade em profundidade
Em testes publicados na revista Cell, as células demonstraram alta performance sob condições de luz equivalentes a 10 metros de profundidade, convertendo cerca de 35% da energia luminosa disponível em eletricidade. Em comparação, painéis de silício operam geralmente com 20% de eficiência, embora as condições ambientais sejam distintas. O ambiente submarino, com temperaturas mais baixas e menor intensidade luminosa, pode, inclusive, retardar a degradação do material.
Quanto à longevidade, um protótipo encapsulado em camadas protetoras permaneceu em água salgada por 40 dias, mantendo 99,6% de sua eficiência original. A estimativa é que o dispositivo leve aproximadamente 5,5 anos para atingir 80% de sua capacidade inicial. Embora a vida útil seja menor que a do silício, o resultado é considerado incomum para tecnologias baseadas em perovskita.
Aplicações práticas no oceano
A validação final ocorreu no Mar do Sul da China, onde o painel foi instalado em um veículo capaz de controlar a profundidade. O sistema carregou baterias em três níveis distintos: 2, 6 e 10 metros.
Os resultados mostraram que, enquanto a produção perto da superfície oscilava devido às ondas, a profundidade de 10 metros oferecia uma iluminação mais estável, embora tenha gerado cerca de 25% da energia produzida a 2 metros.
A tecnologia é indicada para a alimentação de sensores marinhos, veículos submarinos autônomos e infraestruturas de internet submersas, desde que instaladas em profundidades com incidência de luz solar.