Ciência

Pesquisadores chineses recuperam bebida fermentada de grãos com 2.300 anos em tumba na região de Ningxia

07 de Agosto de 2026 às 18:10

Pesquisadores chineses recuperaram na região de Ningxia um álcool fermentado de grãos com 2.300 anos. A bebida, preservada em um recipiente de bronze, foi identificada como vinho amarelo produzido a partir de mijo, cevada ou trigo

Pesquisadores chineses recuperam bebida fermentada de grãos com 2.300 anos em tumba na região de Ningxia
Foto: Journal of Archaeological Science

Pesquisadores chineses recuperaram um elixir de 2.300 anos que permaneceu intacto na região autônoma de Ningxia. O líquido foi localizado na tumba M39 do cemitério de Shanjiabao, no distrito de Yuanzhou, área próxima à Grande Muralha de Qin. O sítio arqueológico abriga 183 sepulturas ligadas a soldados da fronteira e comunidades locais.

A bebida estava armazenada em um recipiente de bronze com formato de cabeça de alho, peça característica do período dos Reinos Combatentes. A preservação do conteúdo foi possível devido a um sistema de vedação em duas camadas: tecidos revestindo a parte interna da boca do vaso e uma cobertura externa de barro orgânico. Essa estrutura hermética impediu a entrada de ar e umidade, reduzindo a evaporação e mantendo 3.740 mililitros de um líquido pálido, inodoro e com sedimentos finos.

Composição química e origem

Para identificar a natureza da substância, o Instituto de Relíquias Culturais e Arqueologia de Ningxia e a Escola de Patrimônio Cultural da Universidade do Noroeste aplicaram técnicas de espectrometria de massas e espectroscopia FTIR. A análise detectou 24 categorias de compostos químicos, entre carboidratos, aminoácidos e ácidos graxos, o que comprovou que o conteúdo não era água infiltrada.

A detecção de níveis elevados de ácido oxálico e láctico, somada à baixa presença de ácido tartárico, permitiu descartar a origem frutal da bebida. Os dados confirmaram que se trata de um álcool fermentado de grãos, composto principalmente por mijo comum e, em menor escala, por cevada ou trigo.

Tecnologia de fermentação antiga

O perfil orgânico do resíduo coincide com a assinatura química do Huangjiu, o vinho amarelo tradicional. A descoberta revela que a comunidade do período pré-Qin já dominava o uso de fermentos e culturas iniciadoras para realizar a sacarificação e a fermentação alcoólica simultaneamente.

Esse processo técnico permitia a conversão do amido dos cereais em açúcares e, na sequência, em álcool, dentro de um único ciclo controlado. O achado é considerado o testemunho líquido da era Qin com maior riqueza de informações e melhor estado de conservação já encontrado no país.

A análise preenche uma lacuna histórica sobre a produção de bebidas na região de Ningxia durante o Período dos Reinos Combatentes, fornecendo evidências concretas sobre o artesanato, a cultura gastronômica e a agricultura da China antiga.

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