Ciência

Pesquisadores chineses validam estatorreator de geometria variável que opera entre Mach 1,8 e Mach 6

30 de Junho de 2026 às 15:09

Pesquisadores chineses validaram um estatorreator de geometria variável que opera entre Mach 1,8 e Mach 6. O sistema utiliza uma vedação de fibra cerâmica e grafite para controlar o fluxo de ar em altas temperaturas. A tecnologia dispensa o uso de propulsores auxiliares para atingir velocidades hipersônicas

Pesquisadores chineses validam estatorreator de geometria variável que opera entre Mach 1,8 e Mach 6
Chinese Journal of Aeronautics

Pesquisadores da Northwestern Polytechnical University e do Beijing Power Machinery Institute, na China, validaram a operação de um estatorreator de geometria variável em ambiente terrestre que simula condições de voo em alta velocidade. O sistema, cujos resultados foram publicados no Journal of Propulsion Technology, permitiu que o motor funcionasse continuamente entre Mach 1,8 e Mach 6. Esse desempenho elimina a necessidade de dois sistemas de propulsão distintos, como o uso de um foguete para impulsionar a aeronave até Mach 4 antes de acionar o estatorreator.

Diferente dos modelos convencionais, que apenas comprimem o ar, acendem o combustível e expulsam os gases, a versão de geometria variável utiliza uma "garganta" móvel na câmara de combustão. Esse componente metálico ajusta sua abertura para controlar o fluxo de ar em diferentes velocidades. O principal desafio técnico dessa engenharia reside na vedação contra gases que atingem 1.650 graus Celsius, com ajustes realizados em um terço de segundo.

Para solucionar a perda de gases quentes que inviabilizou projetos anteriores em outros países, a equipe chinesa desenvolveu uma vedação de duas camadas. O sistema combina um anel de fibra cerâmica flexível, responsável por absorver o choque térmico, com um anel de grafite compacto. Enquanto a cerâmica isolada era ineficaz por filtrar os gases, a adição do grafite como segunda barreira reduziu a fuga de material para 1,9% do volume anterior.

A viabilização desse motor reduz o peso total do sistema, aumenta a eficiência da queima de combustível e possibilita a criação de veículos hipersônicos reutilizáveis. Do ponto de vista estratégico, aeronaves que superam Mach 5 são difíceis de interceptar, pois voam em altitudes baixas e com alta manobrabilidade, superando a capacidade de detecção de radares de mísseis balísticos e a velocidade de mísseis convencionais.

A vantagem técnica chinesa é reforçada pelo controle da cadeia de suprimentos, já que o país produz cerca de 80% do grafite mundial, incluindo a alta pureza necessária para bicos de foguetes, pontas de mísseis, revestimentos furtivos e reatores nucleares. No final de 2024, Pequim restringiu a exportação desse mineral para os Estados Unidos sob justificativas de segurança nacional.

Em resposta, Washington acionou o Defense Production Act para financiar a mineração e o processamento de minerais críticos internamente e em projetos no Canadá, Austrália e Moçambique. A União Europeia também incluiu o grafite em sua Lei de Materiais Críticos para buscar autonomia estratégica. Embora o grafite sintético, derivado do coque de petróleo, seja uma alternativa, a opção apresenta custos elevados, alto consumo de energia e pureza insuficiente para demandas aeroespaciais rigorosas. Estimativas do setor indicam que a construção de uma cadeia de suprimentos independente de grafite levaria dez anos ou mais.

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