Ciência

Pesquisadores coreanos desenvolvem filme ultrafino que bloqueia ondas eletromagnéticas e radiação de nêutrons

11 de Maio de 2026 às 06:23

Pesquisadores do KIST desenvolveram um filme ultrafino de nanotubos de carbono e nitreto de boro que bloqueia 99,999% das ondas eletromagnéticas e 72% da radiação de nêutrons. O material é flexível, compatível com impressão 3D e estável entre -196 °C e 250 °C. A tecnologia é indicada para uso em exploração espacial, instalações nucleares, semicondutores e aparelhos médicos

Pesquisadores coreanos desenvolvem filme ultrafino que bloqueia ondas eletromagnéticas e radiação de nêutrons
Reuters/Evelyn Hockstein

Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia da Coreia (KIST), sob a liderança do Dr. Joo Yong-ho, desenvolveram um filme ultrafino capaz de bloquear simultaneamente ondas eletromagnéticas e radiação de nêutrons. O novo material, detalhado em estudo na revista "Advanced Materials", apresenta uma espessura menor que a de um fio de cabelo humano, mas consegue barrar 99,999% das ondas eletromagnéticas e reduzir em 72% a radiação de nêutrons.

A eficácia do composto reside na combinação de duas classes de nanotubos com funções distintas. Enquanto os nanotubos de carbono utilizam sua alta condutividade para absorver e refletir ondas eletromagnéticas, os nanotubos de nitreto de boro atuam na captura de nêutrons. Essa arquitetura integra em uma única folha proteções que anteriormente demandavam soluções separadas e mais pesadas.

O material destaca-se pela versatilidade física, sendo flexível como borracha e mantendo suas propriedades mesmo ao ser esticado em mais do que o dobro de seu comprimento original. A equipe do KIST também verificou que a aplicação do composto em estruturas do tipo favo de mel aumenta a capacidade de blindagem em 15% quando comparada a superfícies planas de mesma espessura. Além disso, a tecnologia é compatível com processos de impressão 3D.

Projetado para suportar cenários extremos, o filme mantém estabilidade térmica em um intervalo que varia de -196 °C a 250 °C. Essas características tornam a descoberta viável para a exploração espacial, onde a redução de peso em naves, satélites e trajes técnicos é fundamental para a viabilidade dos projetos, aproximando a resistência humana à capacidade de sobrevivência de organismos como os tardígrados.

A aplicação da blindagem estende-se a equipamentos críticos em instalações nucleares, sistemas de semicondutores e aparelhos médicos avançados, setores onde a radiação pode comprometer componentes sensíveis ou a segurança de operadores. O desenvolvimento oferece, portanto, uma alternativa leve e moldável para reduzir a complexidade técnica de estações espaciais e satélites.

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