Ciência

Pesquisadores criam material de construção civil utilizando areia do deserto e madeira triturada

31 de Agosto de 2026 às 09:13 2 min de leitura

Pesquisadores da Universidade de Tóquio e da NTNU criaram um material para construção civil composto por areia do deserto e madeira triturada. O processo utiliza prensagem térmica para transformar a lignina da madeira em adesivo, resultando em blocos para pavimentos e pedras

-0:00
Pesquisadores criam material de construção civil utilizando areia do deserto e madeira triturada
EFE/Aleksander Plavevski

Pesquisadores da Universidade de Tóquio e da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) desenvolveram um material sólido para a construção civil utilizando areia do deserto e madeira triturada. O estudo, publicado no Journal of Building Engineering, propõe uma alternativa para mitigar o impacto ambiental causado pela extração de areia em rios, pedreiras e fundos marinhos.

A viabilidade do projeto resolve um impasse técnico histórico: a areia de regiões áridas, por ser excessivamente fina, não possuía a resistência necessária para a composição do concreto convencional, sendo considerada inútil para fins estruturais.

O processo de fabricação do Concreto de Areia Botânica

Diferente dos métodos tradicionais, o chamado Concreto de Areia Botânica dispensa o uso de cimento ou reações químicas complexas. A composição utiliza proporções semelhantes de pó de madeira e areia do deserto, que são submetidas a um processo de prensagem térmica.

Para que a união das partículas ocorra, o material é exposto a alta pressão e temperaturas próximas a 180 graus. O elemento central dessa reação é a lignina, um polímero natural da madeira que, sob calor e pressão, amolece e funciona como um adesivo orgânico. Esse processo é potencializado pela alcalinidade natural da areia, resultando em blocos estáveis e resistentes.

Aplicações e sustentabilidade

Testes laboratoriais comprovaram que o novo material cumpre os padrões industriais japoneses para a fabricação de pavimentos e pedras. Durante as análises, a equipe avaliou o tempo de prensagem, a pressão aplicada e diferentes tipos de areia, confirmando que a granulometria extremamente fina não impede o comportamento estrutural do bloco.

Para maximizar o ganho ecológico, os cientistas indicam que a produção deve ocorrer próxima às zonas desérticas, reduzindo a emissão de poluentes no transporte. Atualmente, a pesquisa busca a substituição da madeira por resíduos agrícolas. No entanto, a aplicação em larga escala em regiões de clima frio ainda depende de novas etapas de validação.

Notícias Relacionadas