Pesquisadores da ETH Zurich criam tecnologia que transforma dióxido de carbono em combustível metanol
Cientistas da ETH Zurich utilizaram átomos isolados de índio em catalisadores para transformar dióxido de carbono em metanol. O método, publicado na revista Nature, permite a obtenção de combustíveis e plásticos. A tecnologia resiste a pressões elevadas e temperaturas de até 300 °C
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Pesquisadores da ETH Zurich desenvolveram uma tecnologia para converter dióxido de carbono em metanol, transformando o gás em combustível. O estudo, publicado na revista Nature, propõe a utilização do CO₂ como matéria-prima para a produção de energia sustentável e a redução de emissões.
A inovação central do sistema reside no redesenho da estrutura do catalisador. Enquanto os métodos tradicionais agrupam metais em partículas, a nova técnica utiliza átomos individuais de índio. Essa mudança estrutural torna cada átomo um ponto de reação independente, o que amplia a eficiência do sistema, reduz o desperdício de energia e otimiza o uso de materiais escassos.
A abordagem resolve uma limitação histórica da indústria química: a dificuldade de observar com precisão a superfície dos catalisadores. Em sistemas convencionais, átomos que não participam da reação interferem na análise dos dados. Com o design baseado em átomos isolados, a equipe obteve clareza sobre o mecanismo químico, permitindo ajustes precisos e substituindo o método de tentativa e erro por um desenvolvimento racional.
O metanol resultante funciona como um precursor universal para a fabricação de diversos materiais, incluindo plásticos, conforme aponta Javier Pérez-Ramírez, professor de engenharia de catálise na ETH Zurich. Estrategicamente, o processo permite a reutilização do CO₂ capturado, evitando que o gás seja liberado na atmosfera. Caso a energia e o hidrogênio empregados no processo sejam de fontes renováveis, a operação torna-se praticamente neutra do ponto de vista climático.
Para viabilizar a aplicação em escala industrial, o material demonstrou estabilidade sob condições extremas, suportando pressões elevadas e temperaturas de até 300 °C.