Ciência

Pesquisadores da Galícia desenvolvem novos materiais para substituir gases refrigerantes prejudiciais ao meio ambiente

06 de Setembro de 2026 às 06:32 2 min de leitura

Pesquisadores da Galícia desenvolvem materiais de estruturas metal-orgânicas (MOF) para substituir gases refrigerantes tóxicos em sistemas de climatização. A iniciativa visa atender à legislação europeia de 2024, que determina a eliminação total dos hidrofluorocarbonos até 2050

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Pesquisadores da Galícia desenvolvem novos materiais para substituir gases refrigerantes prejudiciais ao meio ambiente
Pexels/Sofía Marquet

Pesquisadores da Galícia desenvolvem novos materiais para substituir os gases refrigerantes utilizados em sistemas de climatização, buscando alternativas que não sejam tóxicas nem prejudiciais ao meio ambiente. A iniciativa surge em um cenário de pressão sobre o mercado de eletricidade, exemplificado pelo mês de agosto, quando os preços subiram mais de 20% em comparação ao mesmo período de 2025, resultando em um gasto adicional médio de 11 euros por consumidor.

O impacto dos sistemas de climatização

O funcionamento dos aparelhos de ar condicionado baseia-se em um circuito fechado onde um gás refrigerante é pressurizado por um compressor para se tornar líquido, gerando calor. A posterior liberação dessa pressão faz com que o líquido retorne ao estado gasoso, e esse processo de evaporação é o responsável por criar o frio.

Apesar da eficiência no controle térmico interno, esse sistema gera impactos externos significativos. O uso de gases fluorados, que são potentes gases de efeito estufa — muitas vezes superando o dióxido de carbono —, contribui para o agravamento do aquecimento global. Além disso, o calor expelido pelos aparelhos para o exterior intensifica o fenômeno da ilha de calor urbana.

Alternativas tecnológicas e legislação

Devido a esses danos ambientais, a legislação europeia aprovada em 2024 estabelece a eliminação total dos hidrofluorocarbonos até o ano de 2050. Para viabilizar essa transição sem comprometer o conforto térmico, a ciência aposta em estruturas metal-orgânicas, conhecidas como MOF (do inglês metal-organic frameworks).

Esses materiais possuem uma estrutura molecular altamente porosa, similar a uma esponja, capaz de absorver diversas espécies químicas. Juan Manuel Bermúdez, pesquisador da Universidade da Coruña, detalha que a versatilidade dos MOF permite a criação de filtros para adsorção seletiva de gases, a remoção de poluentes em águas contaminadas e até a aplicação na medicina, onde podem carregar medicamentos e liberá-los de forma controlada no organismo.

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