Ciência

Pesquisadores da Universidade de Chicago identificam nova espécie de dinossauro no Saara central do Níger

12 de Maio de 2026 às 09:15

Pesquisadores da Universidade de Chicago descreveram o Spinosaurus mirabilis, nova espécie de dinossauro do Cretáceo médio identificada no Níger. O estudo, publicado na revista Science, detalha um crânio com crista óssea e mandíbula de um predador fluvial de 12 metros

Pesquisadores da Universidade de Chicago identificam nova espécie de dinossauro no Saara central do Níger
Reconstituição editorial do Spinosaurus mirabilis.

Uma equipe de 20 pesquisadores da Universidade de Chicago, liderada pelo professor de Anatomia Paul Sereno, identificou e descreveu o *Spinosaurus mirabilis*, uma nova espécie de dinossauro que habitou o Cretáceo médio, há aproximadamente 95 milhões de anos. O estudo, publicado em 19 de fevereiro de 2026 na revista *Science*, detalha a descoberta de um crânio quase completo e ossos da mandíbula em uma região remota do Saara central, no Níger.

O espécime, apelidado de “garça do inferno”, media cerca de 12 metros e pesava menos que as 7 toneladas do *Spinosaurus aegyptiacus* — a única outra espécie do gênero catalogada desde 1915 —, embora mantivesse proporções corporais semelhantes. A descoberta é considerada rara devido à fragilidade dos ossos cranianos dos spinossaurídeos, que tendem a se fragmentar antes da fossilização, tornando a preservação de um crânio íntegro um evento estatisticamente improvável. Este achado agora servirá como base comparativa para a análise de outros fósseis parciais espalhados pelo mundo.

A característica mais marcante da nova espécie é uma crista óssea no topo do crânio, descrita como tendo o formato de uma lâmina de cimitarra. A função exata dessa estrutura permanece sob debate científico, com hipóteses que variam entre a termorregulação, a sinalização social e o display sexual.

O *Spinosaurus mirabilis* era um predador de rios e lagos interiores, caçando peixes em águas rasas de até dois metros de profundidade, apoiando-se em pernas robustas. A localização do fóssil, situada a cerca de 1.000 km do litoral mais próximo da época, refuta a teoria de que os spinossaurídeos eram nadadores marinhos. Naquele período, a região do Níger apresentava um ambiente pantanoso, com canais de inundação e vegetação densa, contrastando com o deserto atual, onde as temperaturas superam os 45 °C.

Contemporâneo de outros grandes predadores do Saara, como o *Suchomimus* e o *Carcharodontosaurus*, o *S. mirabilis* representa uma etapa evolutiva anterior ao *Tyrannosaurus rex*, que surgiu cerca de 30 milhões de anos depois. O grupo dos spinossaurídeos, caracterizado por mandíbulas alongadas semelhantes às de crocodilos, diversificou-se entre estilos de vida aquáticos e semiterrestres antes de desaparecer antes da extinção K-Pg, ocorrida há 66 milhões de anos.

A expedição foi viabilizada pela expertise da equipe de Sereno, que realiza trabalhos no Níger desde a década de 1990, superando a logística complexa do deserto. Enquanto o material atual foca no crânio e mandíbula, as próximas etapas da pesquisa buscarão restos pós-cranianos para verificar a existência da vela dorsal, marca registrada do grupo.

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