Pesquisadores da Universidade de Sydney criam método para extrair hidrogênio verde usando luz solar e gálio
Pesquisadores da Universidade de Sydney criaram um método de extração de hidrogênio verde usando luz solar, gálio e água doce ou salgada. O sistema, com eficiência de 12,9%, permite a reutilização do metal e dispensa água purificada. A técnica foi detalhada na revista *Nature Communications
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Pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, desenvolveram um método para a extração de hidrogênio verde utilizando apenas luz solar, gálio e água, podendo ser aplicada tanto em água doce quanto em água do mar. O estudo, publicado na revista Nature Communications, propõe uma alternativa técnica que soluciona dois gargalos da produção de energia limpa: a dependência de água purificada e o elevado consumo energético.
O papel do gálio no processo químico
A base da descoberta reside nas propriedades do gálio, um metal que se torna líquido em temperaturas próximas à ambiente. Ao ser exposto à luz e entrar em contato com a água, a superfície desse metal desencadeia uma reação química que separa as moléculas de hidrogênio.
Durante esse processo, o gálio é convertido em oxihidróxido de gálio. De acordo com o autor principal do estudo, Luis Campos, a utilização de água do mar, por ser um recurso abundante, torna a extração de hidrogênio mais sustentável ao depender exclusivamente da luminosidade para a produção.
Eficiência e sustentabilidade circular
Nos testes iniciais de prova de conceito, o sistema atingiu uma eficiência máxima de 12,9%. Para o professor Kourosh Kalantar-Zadeh, o resultado evidencia que o potencial químico dos metais líquidos em sistemas energéticos ainda não havia sido plenamente explorado.
Um diferencial do método é a sua natureza circular. O oxihidróxido resultante da reação pode ser reduzido novamente ao estado de gálio, permitindo que o material seja reutilizado em novos ciclos. Essa característica minimiza a produção de resíduos químicos e amplia a viabilidade ecológica do sistema.
Próximas etapas e impacto econômico
O co-diretor do projeto, Francois Allioux, indica que a tecnologia pode consolidar a posição da Austrália na futura economia global do hidrogênio. Atualmente, a equipe científica trabalha no desenvolvimento de um reator de escala intermediária para testar o desempenho do sistema em condições reais e buscar a elevação dos índices de eficiência.