Ciência

Pesquisadores de Oxford descobrem nova espécie de caranguejo que vive em florestas da Indonésia

18 de Junho de 2026 às 09:09

Pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram uma nova espécie de caranguejo terrestre nas montanhas Cíclopes, na Indonésia. O animal habita florestas úmidas e copas de árvores, adaptando-se ao ambiente fora da água devido à alta pluviosidade local

Pesquisadores de Oxford descobrem nova espécie de caranguejo que vive em florestas da Indonésia
Expedition Cyclops/James Kempton

Pesquisadores da Universidade de Oxford identificaram uma nova espécie de caranguejo nas montanhas Cíclopes, na Indonésia, com a capacidade de habitar ambientes terrestres, movendo-se entre o solo úmido da floresta e as copas das árvores. O registro desse novo gênero expande a compreensão sobre a adaptação de crustáceos, que geralmente estão restritos a habitats costeiros ou de água doce.

A descoberta ocorreu durante uma expedição em uma região de difícil acesso e anteriormente inexplorada pela ciência moderna. O objetivo inicial da missão era localizar o equidna de bico longo de Attenborough, espécie considerada extinta desde a década de 1960, a qual foi confirmada por meio de câmeras de armadilha.

A sobrevivência do caranguejo fora da água é atribuída ao microclima das montanhas Cíclopes. Como esses animais respiram por brânquias, a alta pluviosidade e a umidade permanente da floresta permitem que as criaturas superem o desafio fisiológico de viver em terra, ocupando nichos ecológicos inesperados onde a vegetação e a chuva compensam a ausência de massas de água contínuas.

O entomólogo Leonidas-Romanos Davranoglou, pós-doutor do Leverhulme Trust no Museu de História Natural da Universidade de Oxford, destacou que a localização do animal no coração da floresta diverge drasticamente do habitat típico da espécie.

A coleta de dados foi marcada por condições extremas. A equipe enfrentou terremotos que forçaram a evacuação de cavernas, além da presença de aranhas e serpentes venenosas. Entre os incidentes registrados, Davranoglou sofreu fraturas em ambos os braços, um integrante contraiu malária e outro precisou de assistência médica para remover uma pulga do olho.

James Kempton, diretor da expedição pela Universidade de Oxford, descreveu a região como um laboratório natural que combina perigo e biodiversidade, evidenciando que o isolamento do ecossistema ainda abriga organismos capazes de surpreender a comunidade científica.

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