Pesquisadores de Pequim criam escova de dentes que gera eletricidade para combater bactérias bucais
Pesquisadores da Universidade de Pequim criaram uma escova de dentes com cerdas de PVDF que gera eletricidade através do movimento de escovação. A tecnologia elimina bactérias e placa dentária sem necessidade de baterias, reduzindo inflamações e sangramentos gengivais em testes com humanos
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Pesquisadores do Hospital de Estomatologia da Universidade de Pequim desenvolveram uma nova escova de dentes capaz de combater bactérias causadoras de cáries e placa dentária por meio de choques elétricos, eliminando a dependência de motores ou baterias. A inovação, detalhada na revista Science Advances, altera a composição das cerdas para transformar o movimento mecânico de escovação em energia elétrica.
Tecnologia de cerdas piezoelétricas
O avanço consiste na substituição do nailon tradicional pelo PVDF (fluoropolivinileno), um plástico piezoelétrico. Essa propriedade permite que o material gere eletricidade ao ser deformado ou dobrado. Para a fabricação, a equipe produziu filamentos de 0,16 e 0,24 milímetros, submetidos a um aquecimento de 120 °C por duas horas para otimizar a capacidade elétrica.
Durante o uso, a pressão das cerdas contra os dentes libera cargas que, em contato com a água, geram espécies reativas de oxigênio, como o radical hidroxilo. Essas moléculas atacam e danificam a membrana das bactérias. Além disso, a carga retida na superfície das cerdas, mesmo quando em repouso, impede a fixação de microrganismos no material.
Eficácia contra patógenos bucais
Em testes laboratoriais, a nova tecnologia apresentou resultados superiores ao nailon convencional na eliminação de bactérias:
- Streptococcus mutans (cárie): as cerdas mais grossas eliminaram 52,8% da bactéria, contra 9,3% da escova comum.
- Porphyromonas gingivalis (periodontite): a taxa de eliminação foi de 78,2%, enquanto a escova de nailon removeu apenas 8,4%.
- Biopelícula: em testes com placa humana cultivada em dentes de vaca, a remoção superou 99%.
Para validar a aplicação em seres humanos, 115 adultos com quadros de cárie ou gengivite foram monitorados por três meses. Divididos entre grupos que utilizaram escovas de PVDF e de nailon, todos escovaram os dentes duas vezes ao dia com pasta sem flúor. Os resultados indicaram redução significativa nos índices de sangramento gengival, inflamação e acúmulo de placa. A análise microbiológica revelou a diminuição de bactérias patogênicas e o aumento de microrganismos não nocivos, como o Streptococcus salivarius.
Segurança e limitações do material
Testes de toxicidade realizados com células de rato e simulações de escovação em dentes de vaca não indicaram danos aos tecidos ou aumento da rugosidade do esmalte dentário. No entanto, o uso do PVDF levanta questões ambientais e de saúde a longo prazo, pois o material é um fluoropolímero classificado como PFAS (substâncias químicas eternas) pela OCDE e alvo de propostas de restrição da Agência Europeia de Substâncias e Misturas Químicas (ECHA). Embora as cerdas não tenham apresentado degradação após três meses, a liberação de partículas durante o desgaste natural ainda não foi mensurada.
Diferente de modelos iônicos ou de marcas como a TROMATZ, que exigem pilhas para gerar carga, ou cerdas com zinco e prata, que podem perder a eficácia, o modelo de Pequim é autossuficiente. Contudo, os autores ressaltam que a superioridade do dispositivo ainda precisa ser comprovada em comparativos com escovas elétricas e sonoras, já que os testes atuais focaram apenas em modelos manuais.
A equipe de pesquisa informou que realizará acompanhamentos prolongados para confirmar a manutenção dos benefícios à saúde bucal, mas não divulgou previsões de preço ou data de lançamento do produto.