Ciência

Pesquisadores de Stanford identificam molécula que regula o apetite e reduz a obesidade

13 de Outubro de 2026 às 06:07 3 min de leitura

Pesquisadores da Stanford Medicine identificaram a molécula BRP, um peptídeo que regula o apetite e reduz a obesidade ao atuar no hipotálamo. A descoberta, detalhada na revista Nature, utilizou inteligência artificial e demonstrou redução de 50% na ingestão alimentar em modelos animais. O composto apresentou melhoras na tolerância à insulina e glicose sem causar efeitos colaterais

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Pesquisadores de Stanford identificam molécula que regula o apetite e reduz a obesidade
Reuters/Hollie Adams

Pesquisadores da Stanford Medicine identificaram a molécula BRP, um peptídeo natural capaz de regular o apetite e reduzir a obesidade. A descoberta, detalhada na revista Nature, foi possível graças ao uso de inteligência artificial para mapear o corpo humano em busca de compostos que controlassem o metabolismo.

A molécula BRP é composta por 12 aminoácidos e deriva de uma proteína denominada BRINP2. O estudo demonstrou que a substância atua em neurônios específicos do hipotálamo, região cerebral responsável pelo controle da fome.

Diferenças em relação aos tratamentos atuais

Embora a BRP apresente efeitos semelhantes aos do Ozempic, seu mecanismo de ação diverge da semaglutida. Enquanto a semaglutida imita o hormônio GLP-1 e interage com receptores espalhados por diversos órgãos — como pâncreas, intestino e cérebro —, a BRP possui um alvo mais específico.

Essa distinção é fundamental para minimizar impactos sistêmicos no organismo, concentrando a ação na regulação do apetite.

O papel da inteligência artificial na descoberta

A identificação da molécula ocorreu por meio do Peptide Predictor, uma ferramenta computacional desenvolvida para analisar cerca de 20 mil genes humanos que codificam proteínas. O algoritmo foi programado para localizar pontos de fragmentação em prohormonas que pudessem gerar peptídeos com atividade biológica.

O processo de filtragem ocorreu em etapas:

  • A análise inicial focou em proteínas secretadas fora das células, resultando em 373 candidatas.
  • A IA previu a existência de 2.683 peptídeos possíveis a partir dessas proteínas.
  • Cem desses peptídeos foram testados em células cerebrais de laboratório.

Nos testes, a BRP superou a atividade do GLP-1, multiplicando por 10 a atividade neuronal em comparação às células de controle.

Resultados em modelos animais

A eficácia da molécula foi testada em porceiros e ratos (tanto magros quanto obesos). Uma única aplicação de BRP antes da alimentação reduziu a ingestão de comida em 50% na hora seguinte.

Em um experimento de 14 dias com ratos obesos, os animais tratados com a substância perderam, em média, 3 gramas de peso, predominantemente de gordura, enquanto o grupo de controle ganhou a mesma quantidade.

Além da perda de peso, os animais apresentaram melhoras na tolerância à insulina e à glicose. Diferente de terapias convencionais, não foram observados efeitos colaterais como:

  • Náuseas ou constipação;
  • Perda de massa muscular;
  • Alterações na digestão, consumo de água ou níveis de ansiedade.

Atualmente, a equipe de pesquisadores, que inclui a professora Katrin Svensson e Laetitia Coassolo — detentoras de patentes sobre esses peptídeos —, trabalha para identificar o receptor exato da BRP e aumentar a duração de seu efeito no organismo antes de iniciar os ensaios clínicos em humanos.

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