Ciência

Pesquisadores de Stanford registram em tempo real o desaparecimento de uma unidade individual de som

21 de Setembro de 2026 às 09:00 2 min de leitura

Pesquisadores da Universidade Stanford registraram o desaparecimento de um fônon, a unidade quântica de som, em tempo real. A observação ocorreu via dispositivo análogo a um diapasão em miniatura conectado a um qubit supercondutor. A técnica visa o desenvolvimento de memórias quânticas para armazenamento de informações

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Pesquisadores de Stanford registram em tempo real o desaparecimento de uma unidade individual de som
Reuters via Google

Pesquisadores da Universidade Stanford registraram, em tempo real, o desaparecimento de uma unidade individual de som, fenômeno conhecido como salto quântico. Diferente da percepção humana, onde o som de um sino diminui gradualmente, em escalas microscópicas a energia sonora não varia de forma contínua, mas ocorre em pequenos "pulos".

Para viabilizar a observação, a equipe desenvolveu um dispositivo análogo a um diapasão em miniatura sobre a superfície de um chip. Este componente foi conectado a um qubit supercondutor, elemento fundamental de computadores quânticos que, nesta pesquisa, atuou como o sensor de detecção.

O processo de medição do fônon

O experimento consistiu na preparação do sistema com aproximadamente um fônon — a unidade quântica de som. Devido à longa duração da vibração do dispositivo, os cientistas conseguiram realizar centenas de medições sucessivas, monitorando com precisão o instante exato em que a partícula de som deixou de existir.

A precisão atual da técnica de medição é de aproximadamente 99% na preservação do número de fônons. No entanto, a necessidade de repetir o processo diversas vezes para acompanhar o sistema gera pequenas perturbações que acabam reduzindo a vida útil da vibração.

Aplicações em computação e memória quântica

A capacidade de realizar medições repetitivas é essencial para o avanço da tecnologia quântica, especialmente no desenvolvimento de memórias quânticas para o armazenamento de informações. Enquanto computadores clássicos operam com bits, as máquinas quânticas utilizam qubits, que permitem processar matemáticas mais complexas através de fenômenos quânticos.

O uso de ressonadores mecânicos apresenta vantagens por serem fabricáveis em dimensões reduzidas e por conseguirem manter a informação quântica por períodos prolongados. Essa característica é vista como um caminho para solucionar um dos maiores gargalos da área: a preservação de estados quânticos e a identificação de falhas durante as operações.

Perspectivas futuras e limitações

O próximo objetivo da equipe é integrar múltiplos ressonadores mecânicos a um único qubit. Essa configuração visa a construção de uma memória quântica mecânica capaz de detectar e, posteriormente, corrigir erros de processamento.

Embora essa evolução possa, no futuro, aprimorar dispositivos cotidianos como smartphones, a aplicação imediata é improvável. Atualmente, o experimento exige temperaturas extremamente baixas para funcionar, o que impede a incorporação direta da tecnologia em aparelhos comerciais a curto prazo.

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