Ciência

Pesquisadores descobrem como o veneno da aranha Sicarius levii ataca as células humanas

27 de Maio de 2026 às 12:31

Pesquisadores descobriram que a toxina da aranha Sicarius levii atua como uma enzima que altera a estrutura da membrana de células humanas. O processo provoca necrose tecidual ao fragilizar a célula e estimular a resposta do sistema imunológico. O estudo utilizou raios-X para mapear a interação molecular e a ativação da proteína na superfície celular

Pesquisadores descobrem como o veneno da aranha *Sicarius levii* ataca as células humanas
Imagem em close mostra aranha relacionada ao estudo científico que identificou como toxinas podem atacar membranas celulares e provocar necrose em humanos.

Pesquisadores identificaram o mecanismo de precisão com o qual o veneno da *Sicarius levii*, aranha da areia de seis olhos nativa do Chile e parente da aranha-violinista, ataca células humanas. O estudo, liderado por Alexandra Sundman em colaboração com Greta Binford, revelou que a toxina atua como uma enzima, proteína responsável por acelerar reações químicas, que se fixa à membrana celular para iniciar danos imediatos.

A análise detalhada mostrou que a enzima desliza pela superfície da célula, cortando moléculas da camada externa e alterando sua estrutura. Dan Lajoie, integrante do laboratório, observou que esse processo transforma as moléculas em formas anelares incomuns, o que fragiliza a célula e estimula o sistema imunológico a atacá-la, resultando em necrose, ou morte generalizada do tecido.

Para mapear essa interação, a equipe utilizou raios-X em toxinas cristalizadas, conseguindo visualizar as moléculas-alvo posicionadas exatamente na "boca" da enzima no momento do corte. A comparação entre a proteína ligada e desligada indicou que a enzima é ativada no instante em que encontra a superfície celular, detalhe fundamental para entender o início da degradação orgânica.

Embora a causa exata da necrose em humanos ainda não tenha sido totalmente esclarecida, notou-se que, em insetos, a toxina atinge prioritariamente células nervosas, essenciais para a caça. Ambos os casos estão relacionados à reorganização ou dano das membranas celulares, evidenciando a ação do veneno antes mesmo do surgimento de sintomas visíveis.

Na prática, as picadas de aranhas reclusas podem provocar feridas graves na pele, exigindo enxertos, além de causar insuficiência renal e danos aos glóbulos vermelhos, o que pode levar ao óbito. O diagnóstico é complexo, pois as lesões podem ser confundidas com infecções bacterianas, como as causadas pelo *Staphylococcus* resistente à meticilina.

As aranhas do gênero costumam habitar locais escuros e pouco movimentados, como armários, fronhas e pilhas de lenha, e tendem a morder apenas quando se sentem ameaçadas. Atualmente, não existem tratamentos aprovados nos Estados Unidos para essas picadas, embora antivenenos estejam disponíveis na América do Sul.

O conhecimento sobre a estrutura da *Sicarius levii* abre caminho para o desenvolvimento de novas terapias. As estratégias estudadas incluem a criação de métodos para impedir a ligação da toxina à superfície celular ou a modificação química da enzima para bloquear seu efeito destrutivo.

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