Pesquisadores desenvolvem concreto que utiliza fungos e cianobactérias para selar rachaduras de forma autônoma
Pesquisadores das universidades Texas A&M e Nebraska-Lincoln criaram um concreto que sela rachaduras autonomamente com um líquen sintético de fungos e cianobactérias. O sistema produz carbonato de cálcio para preencher fendas utilizando apenas água, luz e ar. O estudo foi publicado na revista Materials Today Communications
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Pesquisadores da Universidade do Texas A&M e da Universidade de Nebraska-Lincoln desenvolveram um concreto capaz de selar rachaduras autonomamente por meio de um sistema biológico composto por fungos e cianobactérias. O estudo, publicado na revista *Materials Today Communications*, descreve a criação de um líquen sintético que imita associações naturais para reparar danos estruturais sem a necessidade de intervenção humana.
A tecnologia soluciona uma vulnerabilidade crônica do concreto: embora o material resista bem à compressão, ele tende a rachar sob tensões, cargas pesadas ou ciclos de congelamento e descongelamento. Essas fissuras, ainda que imperceptíveis, permitem a entrada de gases e líquidos que corroem as armaduras de aço e comprometem a estabilidade de edifícios, estradas e pontes.
O diferencial do sistema projetado pela engenheira mecânica Congrui Grace Jin reside na autonomia do processo. Diferente de outras abordagens de concreto vivo testadas nas últimas três décadas, que exigem a aplicação externa de nutrientes via pulverização ou injeção para ativar os agentes reparadores, a nova composição sobrevive apenas com água, luz e ar.
Nessa comunidade microbiana, as cianobactérias utilizam a luz e o ar para manter o suporte biológico, enquanto os fungos filamentosos atraem cálcio ionizado. Essa interação promove a formação de carbonato de cálcio, mineral encontrado em corais e conchas, que atua como uma cola mineral para preencher as fendas e interromper a propagação do dano.
Em testes de laboratório, a combinação microbiana demonstrou capacidade de crescer e produzir depósitos minerais mesmo dentro do ambiente hostil do concreto, reforçando as áreas afetadas em um mecanismo que remete a propriedades do concreto romano.
A aplicação dessa estratégia visa aumentar a segurança de obras de uso constante, reduzir gastos com manutenção e estender a durabilidade das infraestruturas. A etapa atual da pesquisa foca em testar a resposta do líquen sintético a rachaduras já existentes, além de analisar as implicações legais, ambientais, éticas e sociais do uso de organismos vivos na construção civil.