Pesquisadores desenvolvem método para converter dióxido de carbono em grafite para a indústria de baterias
Pesquisadores dos Estados Unidos e da Estônia criaram um método de eletrólise em sais fundidos para converter dióxido de carbono em grafite. O processo, detalhado na revista Nature Communications, permite ajustar a estrutura do carbono para a produção de insumos para baterias
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Pesquisadores dos Estados Unidos e da Estônia desenvolveram um método eletroquímico capaz de converter dióxido de carbono (CO₂) em grafite. O estudo, realizado por especialistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, da Universidade da Califórnia em Berkeley e do Instituto Nacional de Física Química e Biofísica da Estônia, foi detalhado na revista Nature Communications.
A técnica utiliza a eletrólise em sais fundidos para transformar o gás residual capturado da atmosfera em carbono sólido. Para viabilizar a análise do fenômeno, a equipe criou um microscópio resistente a condições extremas, permitindo a observação da reação em sais líquidos corrosivos aquecidos a 500 °C sob corrente elétrica.
Mecanismo de transformação molecular
As imagens capturadas pelo dispositivo revelaram que a conversão do CO₂ não acontece em uma única etapa, mas por meio de um processo dividido em duas fases. Essa descoberta resolve uma questão química pendente há décadas, fornecendo a explicação molecular de como o gás se deposita como carbono sólido nos eletrodos.
Durante os testes, a equipe constatou que a reação básica permanece estável mesmo com a alteração dos sais fundidos e dos eletrodos. Contudo, a variação desses componentes altera a estrutura do carbono resultante. Essa flexibilidade permite ajustar a eletrólise para a fabricação de materiais específicos, incluindo o grafite com a pureza exigida para a indústria de baterias.
Impacto na cadeia de suprimentos
O grafite é um insumo estratégico para a produção de celulares, computadores portáteis e diversos equipamentos elétricos. Atualmente, a dependência de mineração, processamento e importação torna o fornecimento desse material vulnerável.
Mike Whittaker, cientista do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, destaca que a síntese de materiais críticos via sais fundidos representa um avanço significativo. Segundo o pesquisador, a implementação do processo em larga escala e em diversos locais seria viável caso a técnica pudesse ser executada com sais de baixo custo e em temperaturas reduzidas, suprindo a demanda das cadeias de produção de baterias.
Próximas etapas do desenvolvimento
Embora a descoberta não substitua a mineração de imediato, ela estabelece uma alternativa tecnológica para reduzir a dependência de extração mineral ao aproveitar o CO₂. Os próximos passos da pesquisa focam em:
- Identificar as combinações ideais de voltagens, temperaturas, eletrodos e sais para otimizar os resultados;
- Ampliar a escala do sistema para atingir volumes de produção industrial;
- Avaliar a viabilidade econômica do método em comparação aos processos convencionais de obtenção de grafite.