Ciência

Pesquisadores desenvolvem pistola de plasma para desinfetar roupas em futuras missões a Marte

21 de Agosto de 2026 às 06:22

Pesquisadores da Universidade de Alabama em Huntsville e da NASA criaram uma pistola de plasma frio para desinfetar tecidos em missões a Marte. O dispositivo elimina microrganismos por oxidação, reduzindo em mais de 75% as colônias de esporas em testes. A tecnologia visa diminuir o uso de água e detergentes em ambientes espaciais

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Pesquisadores desenvolvem pistola de plasma para desinfetar roupas em futuras missões a Marte
UAH/Gabe Xu

Pesquisadores da Universidade de Alabama em Huntsville (UAH), em colaboração com o Centro Marshall de Voo Espacial da NASA, desenvolveram uma pistola de plasma projetada para a desinfecção de tecidos. O dispositivo visa eliminar a dependência de máquinas de lavar, detergentes e grandes volumes de água, focando especialmente na manutenção de vestimentas em futuras missões tripuladas a Marte.

Funcionamento e eficácia do plasma frio

O equipamento, apelidado de "lavanderia", possui dimensões similares às de uma caneta e opera através da emissão de plasma frio. Por manter uma temperatura próxima à ambiente, a tecnologia pode ser aplicada diretamente sobre tecidos sem danificá-los.

O processo ocorre quando elétrons energéticos do plasma interagem com moléculas de água e oxigênio, gerando espécies reativas, como radicais OH e ozônio. Essas substâncias oxidam as membranas lipídicas de bactérias, resultando na morte dos microrganismos. Em testes com o protótipo, a tecnologia conseguiu reduzir em mais de 75% as colônias de esporas em amostras de tecido. Atualmente, o dispositivo consegue tratar áreas de aproximadamente um centímetro quadrado por vez.

Logística espacial e saúde em ambientes fechados

A necessidade de tal inovação surge da escassez de recursos em viagens espaciais de longa duração. Enquanto em missões curtas as roupas usadas são descartadas ou trazidas de volta à Terra, uma expedição a Marte exige a redução da carga transportada e o aproveitamento máximo da água.

Gabe Xu, professor de engenharia mecânica e aeroespacial da UAH, pontua que o foco do dispositivo é a desinfecção de materiais macios, como roupas, roupas de cama e estofados, em locais como a Estação Espacial Internacional ou bases lunares e marcianas. O pesquisador ressalta que a ferramenta remove bactérias, mas não tem a função de eliminar manchas físicas, como café ou grama.

Além da higiene pessoal, a tecnologia atua na prevenção de problemas de saúde causados pela alta concentração microbiana em ambientes fechados. O sistema também pode ser aplicado na esterilização de ferramentas e trajes espaciais antes de atividades externas, atendendo a protocolos de proteção planetária.

Próximos passos e expansão tecnológica

Para que a ferramenta seja viável em missões interplanetárias, a equipe de desenvolvimento trabalha na criação de um modelo manual maior, capaz de cobrir superfícies mais amplas, e no desenvolvimento de um sistema para a remoção segura do ozônio produzido.

A implementação do tratamento com plasma deve reduzir a massa de suprimentos necessária para missões onde o reabastecimento é complexo. Paralelamente, a mesma base tecnológica está sendo explorada em fases iniciais para outras aplicações críticas no espaço, incluindo:

  • Purificação de água;
  • Tratamento de resíduos;
  • Revitalização do ar;
  • Agricultura espacial.

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