Pesquisadores do MIT criam método para extrair lítio de rochas sem a necessidade de aquecimento
Pesquisadores do MIT criaram um método para extrair lítio de espodumena em temperatura ambiente utilizando água e fluoreto de amônio. A técnica substitui processos térmicos extremos e gera sais de lítio, alúmina e sílica reativa. A tecnologia está em desenvolvimento comercial pela empresa Rock Zero
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Pesquisadores do MIT desenvolveram um método para extrair lítio de rochas duras em temperatura ambiente, eliminando a necessidade de processos térmicos extremos. A descoberta, detalhada na revista Science, foca na espodumena, mineral composto por lítio, alumínio e sílica que, tradicionalmente, exige aquecimento acima de 1.000 °C e tratamentos ácidos, resultando em alto consumo energético e grande volume de resíduos.
A nova técnica utiliza um reagente líquido de água e fluoreto de amônio, substância inspirada em produtos de gravação de vidro utilizados pelo professor Yet-Ming Chiang. Diferente do modelo convencional, a abordagem ataca a sílica, componente mais resistente da rocha, para decompor a estrutura mineral sem o uso de fornos.
O processo permite a separação de elementos para a obtenção de sais de lítio destinados a baterias, alúmina de alta qualidade para fundição e sílica reativa, que pode ser aplicada em cimentos sustentáveis. O sistema opera sob a lógica de aproveitamento integral, transformando a totalidade da rocha em produtos úteis e regenerando o fluoreto de amônio ao capturar o amoníaco liberado durante a reação.
A eficácia do método foi comprovada em testes com 17 fontes distintas de espodumena de diversas regiões. O desenvolvimento comercial da tecnologia ocorre por meio da empresa Rock Zero, sediada na incubadora The Engine, visando a redução de custos e a descentralização do refino para países que detêm as reservas minerais.
A inovação surge em um cenário de pressão produtiva. Camden Hunt, ex-diretor de projetos do Center for Electrification and Decarbonization of Industry do MIT, aponta que a produção mundial de lítio precisará ser quadruplicada até 2040, demandando a criação de centenas de novos empreendimentos extrativos.