Pesquisadores do MIT desenvolvem concreto com capacidade de autorreparo inspirado em técnicas da Roma Antiga
Pesquisadores do MIT desenvolveram um concreto autorreparável baseado em técnicas da Roma Antiga, utilizando depósitos de cálcio para selar fissuras. A empresa Dmat comercializa aditivos que aumentam a vida útil de estruturas em até 50% e reduzem as emissões de CO₂ em 60%
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Pesquisadores do MIT desenvolveram um concreto com capacidade de autorreparo inspirado na durabilidade de estruturas da Roma Antiga. A descoberta, originada em um estudo de 2023 liderado por Admir Masic, identificou que a presença de depósitos ricos em cálcio permite que o material sele rachaduras automaticamente.
O mecanismo de regeneração
A análise de construções históricas, incluindo vestígios em Pompeia, revelou que os romanos utilizavam deliberadamente fragmentos de cal na mistura do concreto. Quando surgem fraturas no material, esses depósitos de cálcio se dissolvem e recristalizam, preenchendo o espaço aberto pela fissura.
Após a identificação desse processo químico, a equipe de Masic dedicou um ano para testar formulações modernas que preservassem esses fragmentos de cal, validando a durabilidade e o comportamento mecânico do novo material.
Aplicação industrial e sustentabilidade
Essa base tecnológica resultou na criação da Dmat, empresa fundada em 2021 por Masic e Paolo Sabatini. A companhia produz aditivos para cimento convencional que não exigem mudanças profundas nos processos de fabricação atuais. A tecnologia já foi aplicada em:
- Pavimentos e barreiras rodoviárias;
- Reservatórios subterrâneos de água;
- Obras de restauração estrutural na Suíça e na Itália.
A solução apresenta impactos significativos na longevidade das obras e no meio ambiente. Segundo a Dmat, o uso desses aditivos pode elevar a vida útil das estruturas em até 50%. No aspecto climático, a tecnologia reduz as emissões de CO₂ para 40% do volume emitido pelo concreto tradicional, o que representa uma queda de aproximadamente 60% nas emissões.
Diferenciais técnicos
Diferente de outras alternativas de concreto autorreparável que utilizam polímeros ou bactérias, a proposta da Dmat foca em materiais já familiares para a indústria. A escolha visa facilitar a implementação em plantas de produção existentes, tornando o produto competitivo em preço e de fácil distribuição global.
A relevância da inovação é acentuada pelo impacto ambiental do setor: dados do MIT indicam que a produção de concreto responde por entre 5% e 8% das emissões globais de CO₂. A recuperação de uma técnica milenar surge, portanto, como uma via para prolongar a vida útil de infraestruturas modernas e diminuir a pegada climática da construção civil.