Pesquisadores franceses desenvolvem anticorpo que potencializa a eficácia da quimioterapia contra o câncer de pâncreas
Pesquisadores franceses desenvolveram o anticorpo NP137 para bloquear a proteína netrina-1 e combater a resistência de tumores no pâncreas. Ensaios clínicos com 43 pacientes indicaram ausência de toxicidade, aumento da sobrevida e maior viabilidade cirúrgica. O tratamento potencializa a quimioterapia e poderá ser associado ao daraxonrasib
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Pesquisadores franceses desenvolveram o anticorpo NP137, uma terapia coadjuvante capaz de bloquear mecanismos de resistência de células cancerígenas no pâncreas. O estudo, conduzido por cientistas do CNRS, do Centro Léon Bérard e da Universidade Claude Bernard Lyon 1 sob a liderança de Patrick Mehlen, foi publicado na revista Nature em abril.
A descoberta foca na proteína netrina-1, que influencia a transição epitélio-mesenquimal (EMT). Esse processo celular, essencial no desenvolvimento embrionário para permitir o deslocamento de células, é apropriado por tumores para aumentar a mobilidade celular, facilitando a invasão de tecidos e a formação de metástases, além de conferir resistência aos tratamentos. O anticorpo NP137 foi projetado especificamente para inibir a ação dessa proteína.
Em ensaios clínicos de fase 1b, realizados com 43 pacientes — a maioria em estágio avançado e sem outras opções terapêuticas —, o tratamento não apresentou sinais de toxicidade. Análises de biópsias tumorais confirmaram que a terapia bloqueia processos celulares do câncer e potencializa a eficácia da quimioterapia. Nos casos em que os pacientes possuíam o receptor da netrina-1, houve aumento na sobrevida e redução nas recaídas pós-quimioterapia.
Um impacto significativo foi observado na viabilidade cirúrgica de pacientes com câncer de pâncreas localmente avançado. Enquanto a média geral de beneficiados por cirurgias após a quimioterapia é de 6%, esse índice sobe para 23% no grupo total do estudo e atinge 40% entre aqueles que apresentam o receptor da netrina-1.
Dados apresentados no congresso da Associação Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, indicam que o anticorpo prolonga a eficácia da quimioterapia, combatendo a tendência de algumas células cancerígenas de se tornarem menos sensíveis aos medicamentos. A terapia poderá ser associada ao daraxonrasib, molécula que atua em mutações do gene KRAS — presentes em cerca de 90% dos casos da doença — e que tem previsão de disponibilidade para 2027.
A próxima etapa da pesquisa consistirá em comparar a quimioterapia isolada com a combinação do tratamento com o novo anticorpo. Além do pâncreas, a aplicação da terapia associada à imunoterapia poderá ser estendida a tumores de cabeça e pescoço. O avanço é relevante diante da baixa taxa de sobrevida da doença, que, segundo a Sociedade Americana do Câncer, é de aproximadamente 13% cinco anos após o diagnóstico.