Ciência

Pesquisadores identificam a existência de dialetos distintos entre populações de golfinhos do Mediterrâneo

06 de Novembro de 2026 às 06:34 2 min de leitura

Pesquisadores identificaram dialetos distintos em golfinhos do Mediterrâneo, com variações no ritmo das vocalizações entre as populações do leste e oeste. O estudo, baseado em 5.291 registros, indica um processo de evolução cultural na espécie

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Pesquisadores identificam a existência de dialetos distintos entre populações de golfinhos do Mediterrâneo
Asociación Tursiops

Pesquisadores identificaram a existência de dialetos distintos entre populações de golfinhos do Mediterrâneo, revelando que esses animais utilizam padrões acústicos variados para a comunicação social. O estudo, publicado na Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, refuta a crença anterior de que a espécie compartilhava um sistema de comunicação simples e uniforme em todo o mar.

A análise focou nos chamados "códigos", que são assinaturas acústicas utilizadas pelos golfinhos para estabelecer e manter a identidade dentro de seus grupos. A descoberta de variações nesses sons sugere que a população está passando por um processo de evolução cultural.

Diferenças regionais e acústicas

A distinção mais evidente entre os grupos reside no ritmo das vocalizações. Os golfinhos localizados no oeste do Mediterrâneo, especificamente nas regiões do Mar de Alborán e das Ilhas Baleares, emitem códigos mais lentos, com cliques nitidamente separáveis. Em contrapartida, os exemplares do leste produzem sequências significativamente mais rápidas, a ponto de dificultar a detecção individual dos quatro cliques que compõem o código.

Para a bioacústica Taylor Hersh, da Universidade de Bristol, a disparidade entre as gravações das duas regiões é marcante, embora não indique a formação de culturas completamente isoladas. A situação é comparada a falantes de um mesmo idioma que possuem sotaques acentuados: há uma base comum, mas a comunicação pode exigir repetições para a compreensão mútua.

Metodologia e base de dados

A conclusão foi possível graças ao maior conjunto de dados de códigos mediterrâneos já analisado, totalizando 5.291 registros. As informações foram compiladas a partir de dois levantamentos extensos:

  • Balearic Sperm Whale Project: registros coletados entre 2003 e 2021 nas Ilhas Baleares.
  • Pelagos Cetacean Research Institute: monitoramento realizado entre 2005 e 2019 na região oriental do Mediterrâneo.

Memória coletiva e ancestralidade

A capacidade de desenvolver esses dialetos está ligada ao histórico da espécie na região. De acordo com o biólogo marinho Luke Rendell, da Universidade de St Andrews, os golfinhos habitam o Mediterrâneo há aproximadamente 20.000 anos.

Nesse período, os animais teriam desenvolvido uma memória coletiva transmitida entre gerações, acumulando informações sobre zonas de alimentação produtivas e áreas de risco. Esse acúmulo de conhecimento, aliado ao isolamento da população, torna o Mediterrâneo um cenário ideal para o estudo de como surgem os dialetos no reino animal.

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