Ciência

Pesquisadores identificam duas novas espécies de aranhas marinhas no Mar de Salish, no Canadá

25 de Setembro de 2026 às 06:14 3 min de leitura

Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica identificaram as espécies Callipallene pilosuspedes e Tanystylum kiixin no Mar de Salish, Canadá. A descoberta de aranhas marinhas ocorreu entre setembro de 2023 e agosto de 2024, utilizando análises de DNA e observação anatômica

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Pesquisadores identificam duas novas espécies de aranhas marinhas no Mar de Salish, no Canadá
Cormac Toler-Scott

Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica identificaram duas novas espécies de aranhas marinhas no Mar de Salish, no Canadá. A descoberta, detalhada na revista científica Organisms Diversity & Evolution, ocorreu durante expedições de coleta na costa da Colúmbia Britânica, com mergulhos realizados entre setembro de 2023 e agosto de 2024 em profundidades de até 18 metros.

O estudo integra um projeto voltado à documentação de invertebrados marinhos, grupo cuja diversidade ainda é insuficientemente catalogada. Para a identificação dos novos espécimes, a equipe utilizou a combinação de análise de DNA, imagens detalhadas e observação anatômica.

Características da Callipallene pilosuspedes

A espécie Callipallene pilosuspedes, cujo nome faz referência às suas patas peludas, foi representada por um único exemplar. O animal se destaca por possuir olhos vermelhos, uma probóscide triangular para alimentação e patas equipadas com longas espinhas curvas. Sua boca é composta por três lábios e revestida por estruturas sensoriais.

Um ponto central da análise foi a observação dos ovígrafos, apêndices especializados com múltiplas funções. Através de microscopia, os cientistas notaram que o animal utiliza esses apêndices e estruturas semelhantes a pentes para limpar as próprias patas.

Esses órgãos também participam de um processo reprodutivo peculiar: as fêmeas produzem os ovos em suas extremidades e, após a postura, os machos assumem o transporte dos ovos, mantendo-os aderidos ao corpo durante o desenvolvimento.

A espécie Tanystylum kiixin e a relação parasitária

A segunda espécie catalogada, a Tanystylum kiixin, apresenta morfologia distinta, especialmente em seus apêndices de limpeza, que são menos flexíveis e menores. Essa limitação anatômica favorece o acúmulo de detritos na superfície do animal, o que permitiu a detecção de pequenos parasitas instalados nesses resíduos.

O nome "kiixin" é uma homenagem a um antigo assentamento indígena próximo ao local da coleta e remete ao som das ondas na costa.

Biologia e conservação dos artrópodes

Embora compartilhem o nome, esses animais não são aranhas verdadeiras. Eles pertencem ao grupo dos artrópodes, possuindo parentesco com caranguejos de ferradura e escorpiões. Com uma linhagem evolutiva de aproximadamente 500 milhões de anos, essas criaturas apresentam variações extremas de tamanho, desde exemplares com menos de um centímetro até formas antárticas que superam os 70 cm.

A biologia do grupo é marcada por características singulares:

  • Respiração cutânea (através da pele);
  • Alimentação via probóscide para absorção de nutrientes;
  • Desenvolvimento de até 12 patas em algumas espécies.

A iniciativa de Cormac Toler-Scott, autor principal do estudo, visa criar guias de identificação e sequenciamento genético para espécies da região. O objetivo é monitorar como as mudanças climáticas e a ação humana impactam esses invertebrados, fundamentais para a manutenção do ecossistema marinho. As novas espécies são as primeiras aranhas marinhas descritas no Mar de Salish em quase cem anos.

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