Ciência

Pesquisadores identificam evidências de planeta de segunda geração orbitando uma anã branca na Inglaterra

05 de Outubro de 2026 às 18:00 3 min de leitura

Pesquisadores da Universidade de Warwick identificaram um planeta de segunda geração, semelhante a Júpiter, orbitando a anã branca HS 0209+0832. A descoberta, publicada na Nature Astronomy, baseia-se na detecção de elementos pesados como o nióbio na estrela e em sinais de brilho do satélite TESS

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Pesquisadores identificam evidências de planeta de segunda geração orbitando uma anã branca na Inglaterra
Snehalata Sahu / University of Warwick

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, identificou evidências de um planeta de segunda geração orbitando a anã branca HS 0209+0832. O achado, publicado na revista Nature Astronomy nesta segunda-feira (5), sugere que o corpo celeste tenha se formado a partir de detritos expelidos pela própria estrela durante o seu processo de morte.

Composição química incomum

A descoberta baseia-se na análise da atmosfera da anã branca, que funciona como um registro químico dos materiais que a estrela atrai de corpos próximos. Enquanto a maioria desses astros apresenta predominância de ferro e silício, a HS 0209+0832 revelou a presença de elementos pesados, como cobre, zinco e, especialmente, o nióbio.

A concentração de nióbio nesta estrela é mais de mil vezes superior à encontrada no Sol, marcando a primeira vez que esse elemento é detectado em uma anã branca. De acordo com Nicholas Stone, da Universidade de Wisconsin-Madison, essa composição é característica do processo S, uma reação nuclear que ocorre no interior de estrelas em fase de expansão como gigantes vermelhas, antes de colapsarem. Essa assinatura química indica que o planeta não pertence à primeira geração de formação do sistema.

Origem e formação do sistema

A hipótese central é que a morte da estrela tenha gerado um novo disco de matéria, do qual o planeta gigante teria se originado, incorporando os elementos pesados produzidos no estágio final da estrela. Para que esse disco se formasse, os cientistas acreditam que a HS 0209+0832 possuía uma estrela companheira, cuja gravidade teria impedido que a matéria fosse expelida de forma simétrica, mantendo-a em órbita.

Dados do satélite TESS, da NASA, reforçam a existência do corpo celeste ao detectar um sinal de brilho regular a cada 4,4 dias. Esse padrão é compatível com um gigante gasoso com dimensões semelhantes às de Júpiter, que orbita a anã branca em rotação sincronizada.

Interação entre astro e planeta

A proximidade entre os dois corpos explica a presença dos elementos pesados na estrela. A radiação intensa da anã branca provoca a evaporação das camadas externas da atmosfera do planeta, fazendo com que parte desse material escape e seja absorvido pela superfície estelar.

Se confirmada, a natureza deste mundo estabelece o primeiro registro ao redor de uma anã branca. O estudo abre um novo caminho para a astronomia, permitindo que a busca por mundos semelhantes seja feita através da identificação de assinaturas de carbono e elementos pesados na luz de estrelas mortas.

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