Ciência

Pesquisadores identificam fusão de plásticos com esqueletos de corais em praia do Japão

24 de Setembro de 2026 às 18:13 2 min de leitura

Pesquisadores identificaram plasticorais em uma praia de Okinawa, no Japão, formados pela fusão de polímeros derretidos e esqueletos de corais mortos. O estudo, publicado na Marine Pollution Bulletin, atribui a criação desses híbridos à queima de resíduos plásticos na areia

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Pesquisadores identificam fusão de plásticos com esqueletos de corais em praia do Japão
Ilechukwu et al., 2026/CC BY-SA

Pesquisadores identificaram a formação de plasticorais em uma praia subtropical de Okinawa, no Japão. O fenômeno consiste na fusão física entre polímeros derretidos e esqueletos de corais mortos, resultando em um material híbrido de cores intensas e difícil separação. O estudo, publicado na revista Marine Pollution Bulletin, detalha que a descoberta ocorreu durante a análise de fragmentos coloridos encontrados na costa.

Origem e formação dos híbridos

A análise laboratorial confirmou que as tonalidades vibrantes dos fragmentos não pertenciam ao organismo calcário, mas a plásticos que se fundiram à estrutura do coral. A hipótese central dos autores é que a formação desses materiais ocorreu devido à queima de resíduos plásticos na própria areia da praia. O calor teria derretido os polímeros, que, ao esfriarem, aderiram permanentemente aos fragmentos de coral depositados na costa.

Essa descoberta expande a categoria dos plastiglomerados, formações geológicas onde o plástico atua como aglutinante de sedimentos ou elementos naturais. Casos análogos foram registrados em 2023, como em uma ilha vulcânica próxima ao Brasil, onde redes de pesca se fundiram a rochas, e em uma ilha indonésia no Mar de Java, onde foram identificadas crostas plásticas, piroplásticos e resíduos unidos a asfalto.

Impactos nos ecossistemas marinhos

O diferencial do achado em Okinawa é a natureza do material afetado. Fragmentos de coral que retornam ao oceano costumam servir como substrato para o crescimento de novos corais e como refúgio para peixes jovens. A presença de plástico fundido altera essa dinâmica, introduzindo riscos ecotoxicológicos aos recifes de coral.

Embora as consequências ambientais totais ainda não tenham sido precisadas, o estudo alerta para a possibilidade de que as ondas levem esses fragmentos de volta ao mar, provocando a liberação gradual de substâncias químicas. Pesquisas anteriores indicam que resíduos plásticos podem liberar compostos que interferem na propagação dos corais, além de acumularem patógenos e moléculas nocivas.

Registro geológico e o "Plasticeno"

A integração física de resíduos sintéticos em estruturas naturais sugere que o plástico deixou de ser apenas lixo flutuante para se tornar parte da composição geológica. Diante disso, os autores propõem que tais formações possam servir como marcadores estratigráficos de um período denominado Plasticeno, caracterizado pela presença persistente de polímeros nos registros geológicos e em ecossistemas sensíveis. A equipe ressalta a necessidade de estudos de longo prazo para mensurar a precisão do impacto dessa poluição no oceano.

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