Ciência

Pesquisadores identificam gene que regula rede genética ligada ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos

23 de Agosto de 2026 às 12:02

Pesquisadores da Universidade de Barcelona identificaram que o gene RBFOX1 regula a rede genética ligada a transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade. O estudo, publicado na revista Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, aponta que esse gene coordena a ativação de outros 19 genes específicos

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Pesquisadores identificam gene que regula rede genética ligada ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos
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Pesquisadores da Universidade de Barcelona (UB), na Espanha, identificaram que o gene RBFOX1 atua como um regulador central de uma rede genética ligada ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos. A descoberta, publicada na revista Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, sugere que esse gene funciona como um coordenador, determinando a ativação e o processamento de centenas de outros genes responsáveis pelo funcionamento cerebral.

A investigação revelou que o RBFOX1 regula 19 genes específicos que aumentam a suscetibilidade de indivíduos à depressão, ansiedade, irritabilidade e neuroticismo. Dentro desse grupo, foram destacados o CADM2 e outros três genes que também exercem funções reguladoras: SP4, TCF4 e PAX6.

Mecanismos biológicos e comorbidades

A relevância do achado reside no fato de que condições como a depressão e a ansiedade geralmente não resultam de uma única mutação, mas do acúmulo de pequenos efeitos de milhares de genes. Quando um regulador central como o RBFOX1 apresenta alterações, ocorre um efeito em cadeia que impacta simultaneamente a comunicação entre neurônios, a regulação da neurotransmissão e o desenvolvimento neuronal.

Essa dinâmica genética explica a frequência com que a depressão e a ansiedade surgem conjuntamente no mesmo paciente. No entanto, o estudo ressalta que a predisposição genética é apenas um dos componentes do risco, sendo o transtorno resultado de uma interação entre fatores biológicos, sociais, ambientais e psicológicos.

Perspectivas para tratamentos personalizados

A identificação desses mecanismos compartilhados abre caminho para a criação de biomarcadores de risco e a elaboração de terapias mais precisas. Ao focar em vias moleculares específicas, será possível aprimorar a classificação dos pacientes e desenvolver tratamentos que beneficiem múltiplos transtornos simultaneamente.

O estudo contou com a colaboração de cientistas da Universidade Goethe de Frankfurt, na Alemanha. Para a consolidação dos resultados, os coordenadores da pesquisa, Bru Cormand e Noèlia Fernández, indicam a necessidade de validar os dados em novas amostras e realizar estudos complementares. Uma das prioridades será analisar as disparidades entre homens e mulheres, dado que a prevalência da depressão é maior no público feminino.

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