Pesquisadores identificam mecanismo de fossilização que preservou tecidos moles de pterossauro encontrado no Ceará
Pesquisadores de quatro países identificaram um mecanismo de fossilização por bactérias que preservou tecidos moles e esteroides em um pterossauro do período Cretáceo. O exemplar, com 8 metros de envergadura, foi encontrado na Bacia do Araripe, no Ceará. O estudo foi publicado na revista iScience

Pesquisadores do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos identificaram um mecanismo global de fossilização capaz de preservar tecidos moles e esteroides em um pterossauro do período Cretáceo. O exemplar, pertencente ao grupo Anhangueridae e com abertura alar de aproximadamente 8 metros, foi encontrado na Formação Romualdo, situada na Bacia do Araripe, no Ceará.
A preservação tridimensional excepcional do fóssil ocorreu devido à atuação de bactérias oxidantes de enxofre, que promoveram uma mineralização rápida. O processo funciona em efeito dominó: a decomposição inicial do animal gera microambientes químicos que alimentam microrganismos específicos. Estes, por sua vez, desencadeiam sucessivas precipitações de fosfatos, sulfatos e diversas fases de carbonato, selando a estrutura biológica antes da degradação de biomoléculas e tecidos.
Para chegar a esses resultados, um grupo de especialistas de 15 instituições internacionais utilizou tomografia 3D, geoquímica isotópica, espectrometria de massa e microscopia eletrônica. A detecção de traços de esteroides no animal indica que esses répteis voadores, que foram os primeiros vertebrados a dominar o voo motorizado, provavelmente se alimentavam de lulas ou peixes.
O estudo, publicado em 18 de outubro na revista iScience, demonstra que a atividade microbiana pode criar condições eficientes para conservar moléculas que normalmente desapareceriam em poucos dias. A análise do exemplar, depositado no Museu de Plácido Cidade Nuvens, reforça o valor científico da Bacia do Araripe.
A iniciativa contou com a cooperação entre a Universidade Regional do Cariri (URCA) e o Museu Nacional/UFRJ, além do suporte do programa INCT Paleovert, financiado pelo CNPq, e a liderança da Universidade Curtin, da Austrália.