Ciência

Pesquisadores identificam pegadas de dinossauros com 132 milhões de anos no litoral da África do Sul

10 de Abril de 2026 às 15:06

Pesquisadores da Nelson Mandela University localizaram pegadas de dinossauros de 132 milhões de anos no estuário de Knysna, África do Sul. Os registros, situados na Formação Brenton, indicam a presença de terópodes, saurópodes e ornitópodes em ambiente lagunar do início do Cretáceo. A equipe utiliza escaneamento digital e fotogrametria para preservar os dados devido ao desgaste causado pelas marés

Pesquisadores do African Centre for Coastal Palaeoscience, da Nelson Mandela University, identificaram pegadas de dinossauros na margem sudoeste do estuário de Knysna, no Cabo Ocidental, África do Sul. O registro, documentado em estudo publicado no South African Journal of Science em 2026, localiza-se em depósitos da Formação Brenton, abrangendo um afloramento de aproximadamente 40 metros de extensão.

Com idade estimada em 132 milhões de anos, as marcas datam do início do Cretáceo. A análise indica que este é provavelmente o registro mais recente de dinossauros encontrado no sul da África e representa apenas o segundo relato de trilhas cretáceas na província do Cabo Ocidental. O sítio amplia a compreensão sobre a presença de terópodes, além de possíveis saurópodes e ornitópodes, em um antigo ambiente lagunar.

As pegadas, classificadas como icnofósseis, foram preservadas em sedimentos finos de planícies costeiras do Cretáceo Inferior, onde o solo úmido permitiu a gravação das marcas e a posterior cobertura por novas camadas de sedimentos, evitando a erosão imediata até a consolidação em rocha.

Atualmente, o local apresenta uma dinâmica de visibilidade intermitente. As marcas aparecem em paredões baixos e em superfícies de lama e silte na zona entremarés, ficando expostas apenas durante a maré baixa. Nas marés altas, a água cobre o sítio duas vezes ao dia, o que dificultou a detecção prévia do local, mas também promove o desgaste gradual dos vestígios.

As trilhas revelam a coexistência de múltiplas espécies, com evidências de dinossauros bípedes, possivelmente carnívoros, e herbívoros de diversos portes. A disposição dos rastros permite inferir padrões de locomoção, tamanhos dos indivíduos e comportamentos, como o deslocamento em grupo ou a utilização de rotas específicas para alimentação e acesso à água.

A descoberta é considerada fundamental para preencher uma lacuna temporal na África Austral, onde a maioria dos icnofósseis conhecidos remonta ao período Jurássico. O achado comprova que esses animais frequentavam áreas próximas ao litoral, oferecendo dados sobre a distribuição e evolução das espécies que ossos fossilizados não conseguem detalhar.

Devido à vulnerabilidade do sítio frente ao intemperismo e à ação constante das ondas, a equipe utiliza fotogrametria e escaneamento digital. Essas técnicas de alta resolução garantem a preservação dos dados científicos mesmo diante do risco de desaparecimento físico das marcas.

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