Ciência

Pesquisadores identificam que a Península Ibérica apresenta um movimento de rotação lenta no sentido horário

31 de Julho de 2026 às 15:07

Pesquisadores da Universidade do País Vasco identificaram que a Península Ibérica realiza um movimento de rotação lenta no sentido horário. O fenômeno decorre da interação entre as placas euroasiática e africana, com convergência de 4 a 6 mm anuais. O estudo utilizou dados sísmicos e de satélite para mapear a deformação tectônica e falhas ativas

Pesquisadores identificam que a Península Ibérica apresenta um movimento de rotação lenta no sentido horário
NASA/ISS Program

Pesquisadores espanhóis de geodinâmica identificaram que a Península Ibérica apresenta um movimento de rotação lenta no sentido horário. O fenômeno é resultado da interação prolongada entre a placa euroasiática e a placa africana, conforme revelam dados sísmicos e de satélite.

O estudo, conduzido por Asier Madarieta, do grupo HGI da Universidade do País Vasco (EHU), analisou a compressão e a deformação em uma das áreas tectônicas mais complexas do Mediterrâneo Ocidental, onde a fronteira entre as placas é difusa.

Dinâmica de convergência e deformação

A convergência entre as placas euroasiática e africana ocorre a uma taxa de 4 a 6 mm por ano. Embora essa fronteira seja nítida no norte da África e no Oceano Atlântico, ao sul da Ibéria ela se manifesta de forma irregular, com tensões tectônicas distribuídas em múltiplas estruturas ativas.

A geometria dessa fronteira é influenciada pela região de Alborán. O deslocamento desta área para o oeste contribuiu para a criação do arco ativo de Gibraltar, que serve como um amortecedor tectônico conectando o Rif norte-africano à Cordilheira Bética.

A análise indica que a deformação causada pela colisão das placas é absorvida pela crosta do arco a leste do Estreito de Gibraltar. Já a oeste, o contato é mais direto, o que facilita a transmissão de tensões para o sudoeste da península e impulsiona o giro horário da região.

Metodologia e mapeamento de riscos

Para validar a descoberta, a equipe integrou duas fontes de dados:

  • Campos de tensão: obtidos através do registro de terremotos das últimas décadas.
  • Campos de deformação superficial: derivados de observações de satélites de alta precisão.

Essa combinação permitiu compreender como a superfície terrestre reage às pressões profundas e possibilitou a delimitação de áreas com possíveis falhas ativas, estruturas com potencial para gerar sismos.

Esses achados são essenciais para a expansão da QAFI, o banco de dados de falhas quaternárias da Ibéria. Atualmente, o sistema apresenta lacunas no setor ocidental do arco de Gibraltar e no oeste dos Pirineus, regiões que demandarão novas investigações geofísicas e geológicas detalhadas.

Com informações de El Confidencial

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