Ciência

Pesquisadores identificam três novas espécies de vermes marinhos nas profundezas da Península Ibérica

24 de Outubro de 2026 às 15:11 3 min de leitura

Pesquisadores do CSIC identificaram três novas espécies de vermes marinhos do gênero Osedax nas profundezas da Península Ibérica. Os organismos Osedax emmae, Osedax teoi e Osedax martini alimentam-se de ossos de vertebrados via bactérias especializadas. A descoberta ocorreu após a análise de material coletado entre 2022 e 2024 no mar Cantábrico, Mediterrâneo e Golfo de Cádiz

-0:00
Pesquisadores identificam três novas espécies de vermes marinhos nas profundezas da Península Ibérica
IEO-CSIC/Pilar Ríos

Pesquisadores do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) identificaram três novas espécies de vermes marinhos nas profundezas dos oceanos que circundam a Península Ibérica. Os organismos, pertencentes ao gênero Osedax, foram localizados no mar Cantábrico, no Mediterrâneo e no Golfo de Cádiz, em profundidades que chegam a ultrapassar os 1.200 metros.

Anatomia e alimentação especializada

Conhecidos como "vermes comedor de ossos", as espécies Osedax emmae, Osedax teoi e Osedax martini possuem uma biologia singular: não têm boca, intestino ou ânus. A nutrição desses animais ocorre por meio de estruturas semelhantes a raízes que perfuram restos ósseos de vertebrados no fundo do mar. Esse processo é viabilizado por bactérias especializadas que decompõem a matéria orgânica, permitindo a reciclagem de nutrientes nos ecossistemas marinhos.

Metodologia de coleta e análise

A descoberta foi possível graças a um experimento conduzido pelo Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO), que depositou ossos de porco e vaca em nove pontos estratégicos do fundo oceânico. Os dispositivos foram instalados em locais como o escarpe de Mazarrón, o Golfo de Cádiz e El Cachucho.

A recuperação do material ocorreu entre 2022 e 2024, durante expedições a bordo dos navios Ramón Margalef e Ángeles Alvariño. A confirmação das novas espécies foi obtida após análises genéticas e morfológicas realizadas por cientistas do Instituto Espanhol de Oceanografia e do Museu Nacional de Ciências Naturais, com a publicação dos dados no Zoological Journal of the Linnean Society.

Diferenças entre as espécies

Cada organismo identificado apresenta características distintas de habitat e aparência:

  • Osedax emmae: encontrada a aproximadamente 500 metros de profundidade, na área protegida de El Cachucho, no Cantábrico.
  • Osedax teoi: localizada a mais de 1.200 metros de profundidade na costa de Mazarrón (Murcia), distinguindo-se por possuir uma mancha verde, característica inédita para o gênero.
  • Osedax martini: distribuída entre o Golfo de Cádiz e o Mediterrâneo, em profundidades que variam de 50 a mais de 700 metros. Esta espécie é a primeira do gênero a apresentar duas variantes morfológicas, com exemplares de cores avermelhadas e manchas negras.

Conexões oceânicas e impacto ecológico

O estudo revelou que populações de Osedax martini não possuem diferenças genéticas significativas entre o Mediterrâneo e o Atlântico, sugerindo que as correntes oceânicas facilitam a dispersão de suas larvas por centenas de quilômetros.

Além da biodiversidade, a atividade desses vermes e de suas bactérias associadas explica a baixa incidência de esqueletos de vertebrados no registro fóssil marinho, evidenciando a função crucial desses organismos na reciclagem de nutrientes nas profundezas do oceano.

Com informações de El Confidencial

Notícias Relacionadas