Pesquisadores identificam vórtices de plasma invisíveis na superfície do Sol com auxílio de telescópio no Havaí
Pesquisadores detectaram vórtices de plasma com cerca de 20 km de largura na superfície do Sol utilizando o Telescópio Solar Daniel K. Inouye e simulações computacionais. O estudo, publicado na revista Nature, identificou que esses redemoinhos ocorrem nas bordas dos grânulos solares via instabilidades de Kelvin-Helmholtz. A descoberta indica que tais estruturas podem torcer linhas do campo magnético, influenciando a liberação de energia e a propagação de plasma
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Pesquisadores identificaram a existência de pequenos vórtices de plasma na superfície do Sol, estruturas com pouco mais de 20 km de largura que permaneciam invisíveis até então. A detecção foi possível graças ao uso do Telescópio Solar Daniel K. Inouye, no Havaí, o maior do mundo na categoria, aliado a simulações computacionais de alta complexidade.
A precisão do achado é comparável a distinguir uma moeda de um euro a uma distância de 180 km. O estudo, publicado em 5 de agosto na revista Nature, contou com a colaboração de instituições como o National Solar Observatory (NSO) e a National Science Foundation (NSF), dos Estados Unidos, além do High Altitude Observatory (HAO) e do Max Planck Institute for Solar System Research (MPS), da Alemanha.
Dinâmica dos fluidos na superfície solar
Esses redemoinhos localizam-se nas bordas dos grânulos solares, que são estruturas com diâmetros entre 500 e 2 mil km. A superfície da estrela é coberta por esse padrão de granulação, resultante do plasma quente que ascende do interior, resfria-se ao tocar a superfície e retorna para as profundezas, simulando o movimento de um líquido em ebulição.
Nas extremidades dessas regiões, a equipe observou franjas com movimentos giratórios semelhantes a ondas quebrando no mar. Esse fenômeno é classificado como instabilidades de Kelvin-Helmholtz, um processo da dinâmica dos fluidos que ocorre quando duas camadas de um fluido se deslocam em velocidades distintas, transformando perturbações em ondas ou espirais.
Esse mesmo mecanismo é responsável por:
- Formação de nuvens e ondas em oceanos e lagos;
- Dinâmicas nas atmosferas de Saturno e Júpiter;
- Interação entre as magnetosferas planetárias e o vento solar.
Impacto no campo magnético e energia
A descoberta oferece pistas sobre como o Sol armazena e libera energia em seu campo magnético. Atualmente, a teoria indica que a energia se acumula quando as linhas magnéticas se torcem, como molas comprimidas, podendo romper-se e reconectar-se em um processo de reconexão magnética, que gera explosões de radiação conhecidas como nanoflares.
Como os vórtices surgem constantemente em áreas de campo magnético intenso, eles podem ser o mecanismo que provoca a torção dessas linhas. Além disso, as análises revelam que esses redemoinhos misturam plasma magnetizado e não magnetizado, o que facilitaria a propagação do campo magnético para a atmosfera solar.
Esse entendimento é fundamental para explicar a eficiência do fluxo magnético durante os ciclos solares de aproximadamente 11 anos, um intervalo considerado curto para padrões astronômicos e que os modelos atuais ainda não conseguem detalhar plenamente.